quarta-feira, dezembro 28, 2005

Diário de campanha (3) [em família, dada a quadra que atravessamos]

1. Dão-se alvíssaras a quem descobrir o paradeiro de Luís Marques Mendes. Na altura do seu desaparecimento era presidente do maior partido da oposição e apoiante desesperado de Cavaco Silva à presidência da República. A sua família política está preocupada.

2. Pedem-se esclarecimentos sobre se o apoiante de Cavaco Silva, Ribeiro e Castro, presidente do CDS-PP, que considera ser ‘o terrorismo um filho pródigo da esquerda’, é o mesmo que é sobrinho de Gilberto Santos e Castro, operacional do ELP (Exército de Libertação de Portugal), organização terrorista de extrema-direita que actuou em Portugal em 1975 e que em Angola se aliou à FNLA de Holden Roberto, sob coordenação do mesmo Tenente-Coronel Santos e Castro?

3. Aceitam-se apostas fora do circuito betandwin sobre quem será o candidato do Partido Ecologista os Verdes. Só serão aceites apostas a quem conseguir enumerar cinco intervenções políticas, quatro dirigentes, as características do logotipo, daquele partido e a "paternidade" do mesmo.

4. Após vários testes de ADN ficou provado, esta semana, quem é o verdadeiro "pai do monstro": aquele que propõe a criação de secretarias-de-estado sem qualquer utilidade prática, com excepção do acréscimo da despesa pública, em funcionários e ajudas-de-custo, para pagar reuniões de trabalho com empresários estrangeiros pedindo-lhes que não deslocalizem as suas empresas, mesmo que essa opção seja prejudicial à capacidade concorrencial das mesmas.

El-Rei Dom Sebastião José de Carvalho e Mello

Se, porventura, Cavaco vier a ser eleito presidente da República, o país viverá pelo menos cinco anos politicamente conturbados. Com Sócrates, ou com outro primeiro-ministro, viveremos tempos em que Cavaco, por força da personalidade em questão, procurará ocupar a primeira página do protagonismo governativo, sem poderes constitucionais para o efeito. Tal como o primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Mello "apagou" da história quem, em seu tempo, a deveria protagonizar em primeiro lugar, de acordo com as leis então em vigor, o mesmo Cavaco procurará fazer. Disso não têm dúvidas a maioria dos seus apoiantes. E é por isso mesmo que o apoiam e procurarão eleger.

Posts intimistas e auto-biográficos (4)

Ao ouvi-la falar e ao vê-la viver, lembrei-me das mulheres de Barcelona e percebi, então, por que razão nunca partilhei do regozijo nacional com o dia 1 de Dezembro de 1640.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Os Livros do ano, modestamente...

Agradecimentos (em actualização?)

Pela distinção recebida no Almocreve das Petas e no Ma-Schamba.

Neo pós-modernos

Muitos dos que agora defendem uma espécie de relativismo moral são os mesmos que há vinte anos defendiam o relativismo cultural e agora se deitam a ele como gato a bofe. Então, como agora, parece-me que o relativismo apenas serve todo o tipo de oportunismos, situacionismos e, sobretudo, a subversão das boas regras democráticas da transparência e escrutínio da decisão. Só quem retira dividendos de poder do relativismo moral a ele está a aderir tão fervorosamente.

Boas intenções

De boas intenções está o Natal cheio.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Blogonatal
















Aos blogonautas que por aqui navegam, os meus votos de um bom natal !

O Padre Amaro: sexo, enganos e sucessos

Quantos espectadores do clássico do soft core Histoire d'O, estreado em Portugal na aurora da liberdade, foram depois ao engano ver o filme de Eric Rohmer La Marquise d'O, saindo cinco minutos após o início do filme?

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Posts intimistas e auto-biográficos (3)

Soube que a nossa relação amorosa não teria qualquer futuro no dia em que ela não apreciou uma refeição de queijos e vinho.

Pessoal curte

Ao pessoal de esquerda que desta vez está a pensar votar Alegre ou Louçã, lembro: Pode ser uma curte, mas cuidado, não há pílula do dia seguinte para o efeito.

Pessoal alegre

Deixemo-nos de coisas. O pessoal porreiro do mundo da cultura e do desporto sem um pingo de cultura política está todo na campanha do Alegre. Até lá está o bacano do Pac-Man.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Posts intimistas e auto-biográficos (2)

Seja ou não um conceito rigoroso, a noção de geração remete, de facto, para quadros de socialização espácio-temporais, universos culturais, mentais e de experiências e trajectórias de vida que facilitam ou dificultam os relacionamentos em função da maior ou menor proximidade geracional. Percebi-o quando, ao comunicar com ela, precisei de requisitar os serviços de um tradutor que me tornasse inteligiveis os seus códigos comportamentais e morais.

Erro de casting

Se porventura as sondagens se vierem a confirmar em votos nas urnas sempre quero ver como é que Cavaco justificará perante o país que não pode fazer nada do que promete. Pela simples razão que o Presidente da República não tem competências para fazer o que o candidato promete fazer.

Senso muito estreito

Quando alguém que quer ser Presidente da República diz que o problema do desordenamento do território é o facto de prejudicar o turismo, está tudo dito sobre o alcance da visão política e cultural desse candidato. Este homem não consegue ver um palmo de realidade além da realidade económica strictu sensu.

Posts intimistas e auto-biográficos

Soube que jamais nos entenderíamos quando ela manifestou não partilhar dos gostos musicais da minha amiga.

terça-feira, dezembro 20, 2005

sábado, dezembro 17, 2005

Diário de campanha (2)

O mais divertido de ver nesta campanha, têm sido os rasgados elogios a Louçâ e a Alegre, por parte de alguns comentadores de voto certo em Cavaco. Se o cinismo matasse, perdíamos metade dos nossos 'opinion desmakers'. Ao menos aqui, honra seja feita a JPP, que nem a campanha lhe esmorece o ódiozinho de estimação a Louçã.

A esfera gastrico-ideológica

Dizem por aí que já não há direita e esquerda em política. Pode ser que sim, mas pelo menos na blogosfera eu consigo distinguir uma de outra coisa. Vejo que um blogue é de direita quando ao lê-lo sinto uma nausea no estômago, próxima do vómito. Ora, nem todos os que se identificam com a direita, ou com ela são identificados na blogosfera, me causam uma tal sensação, de onde se comprova que a direita versus esquerda, mais do que categorias de análise racional, reportam-se a algo que vem das entranhas.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Um país de inimputáveis

Um dos grandes problemas deste país é a ineficácia e laxismo generalizados, e particularmente no que se refere aos mecanismos que poderiam evitar casos de barbárie, no que aos direitos básicos dos mais vulneráveis e desprotegidos diz respeito, e aos mecanismos de apuramento de responsabilidades, no caso de negligência grosseira na prevenção da ocorrência de tais casos. Enquanto não houver mecanismos que permitam evitar uma tal situação, organismos como as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco servem para quê, além de desperdício de tempo (que é sempre dinheiro) dos funcionários do Estado que dessas comissões se ocupam (?) e de desperdício financeiro com a estrutura que as devia coordenar? É também nesta cultura da irresponsabilidade vigente, e interiorizada como 'normal', que devemos procurar as razões do nosso atraso estrutural.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Hortografismos

Este blog encontra-se em hibernação, enquanto o seu autor se dedica a tratar de problemas horto gráficos.

As direitas internacionais em sintonia

Depois de alguma direita religiosa portuguesa inventar uma 'guerra de crucifixos', é agora a vez da direita religiosa americana inventar a existência de uma guerra contra o Natal. Como alguém diria, o mundo está perigoso.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Imagine [8 de Dezembro de 1980]



















"Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace"

Bom Natal !

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Metacausa: os neo-cruzados

Aquilo que os neo-cruzados mais gostariam de ver nesta época natalícia pré-eleitoral, era uma guerra de crucifixos. Julgo que alimentar uma polémica com base numa pseudo notícia, como a circular do ME visando retirar as cruzes das escolas, que nunca existiu, é fazer o jogo dos neo-cruzados, os quais em tempo de eleições, onde um dos candidatos se declara abertamente laico, procuram capitalizar votos conotando o governo e o partido que o suporta e que igualmente apoia aquele candidato, com uma prática que sabem reprovada pelos espíritos católicos da maioria dos eleitores.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Lugares de encanto

Comentários

Os leitores deste blog são poucos, é verdade. Mas são bons. A qualidade dos comentários que aqui têm deixado, comprova-o. Por ignorância minha accionei o mecanismo de moderação dos comentários e depois não utilizei essa função. Daí que os comentários fossem colocados e depois não publicados. Aos seus autores o meu pedido de desculpas. De ora em diante, prometo, estarei mais atento à função moderação dos comentários. Veja-se, em particular, este mimo de texto que só não o cito na página principal do blog porque o seu autor, compreensivelmente, preferiu manter o anonimato.

domingo, dezembro 04, 2005

Arquitectura

Os arquitectos querem ver revogada uma lei que tem trinta e dois anos e que permite aos não arquitectos fazerem projectos de arquitectura. O estado em que estão as nossas cidades e a paisagem construída do país é o argumento forte. Têm razão os arquitectos. Mas se conseguirem projectar edifícios que não sejam só obras de arte mas que também sirvam para as funções a que se destinam, todos nós, utilizadores desses edifícios, agradeceríamos.

Diário de campanha

1. Confrontado com a falsidade da sua pretensa postura acima dos partidos, Cavaco engasgou-se, gaguejou, pontapeou a gramática. Deu um triste espectáculo da sua figura política.

2. António Costa recorreu, na campanha de Soares, a uma inovação da metáfora das vacas magras, chamando-lhes escanzeladas, que não me pareceu muito feliz do ponto de vista estético-discursivo, sem acrescentar substância alguma à intervenção política.

3. Louçã procurou ridicularizar a letra do hino de campanha de Cavaco, pelo simples facto de ele ter sido redigido por um banqueiro: Dias Loureiro.

4. Alegre declara, como descoberta de última hora, que os mediocres estão à frente dos partidos.

5. A pré-campanha ainda não descolou do chão. O problema do país não é económico. O país está doente.

terça-feira, novembro 29, 2005

Um problema de desmame

Como toda a gente sabe a parcela maior do desperdício de recursos financeiros do Estado não consiste nos salários dos funcionários, mas sim nas relações clientelares das empresas face ao Estado. Quando os empresários exigem emagrecimento do Estado (com redução de pessoal) apenas estão a exigir isso porque o Estado começou a dar sinais de que o leite estava a chegar ao fim. A preocupação dos empresários reside no facto de que se o número de funcionários diminuir será possível que não diminua o tamanho da mama do Estado onde as suas empresas se alimentam. O problema dos nossos empresários que se preocupam mais com o Estado do que em tornar as suas empresas competitivas no mercado global, é o desmame em que o país está a entrar.

A má moeda está de volta

Ao que parece, de Cavaco não sabemos bem o que pensa do problema israelo-palestino, de política de imigração, do papel das forças armadas nacionais no quadro da UE e da NATO, ou dos direitos humanos na China. Mas em compensação ele "mostra-nos" o que faz na banheira, como se despe e veste, que tipo de pijama usa. Está tudo na Sábado.

O básico

O que está em questão não é nenhuma campanha contra o crucifixo, ou a cruz, qualquer que ela seja. Que nos importa que o ateu, ou o católico, resolva ter um crucifixo no quarto, ou dele fazer o que entender? O que está em questão não é a presença de um símbolo da história que pode constar de moedas, obras de arte, ou museus. O que está em questão - e o que significa a presença do crucifixo nas salas de aulas - é a marca simbólica que funde religião e educação pública, logo, religião e Estado, tal como essa fusão existia no Estado Novo e que, supostamente, deveria ser considerada extinta, pelo menos após a aprovação da Constituição da República em 1976. É assim tão difícil de entender isto?

Os que não são políticos profissionais

Independentemente de todas as dúvidas e questões que o projecto OTA possa suscitar, o ministro Mário Lino deu, o que se costuma chamar um bailinho aos seus adversários neste debate sobre a OTA no Prós e Contras. A miséria da argumentação de Ludgero Marques, ou as indigentes profissões de fé de Carmona Rodrigues foram muito bem aviadas com factos e racionalidade de argumentos de Mário Lino. Ou com o mero deixar a caravana passar perante a baixesa final do argumento, por parte de Carmona Rodrigues, de que o Ministro foi militante do PCP, e era, então, contra as privatizações (...). Quando os verdadeiros argumentos faltam, é caso para parafrasear o autor - um dos tais que não são políticos profissionais: "É extraordinário..."

segunda-feira, novembro 28, 2005

O bom despesismo do Estado

"As obras no aeroporto do Porto, que começaram por orçar em 6.7 milhões de contos, acabaram por ficar nos 33 milhões de contos. Sinal de que fomos ouvidos." Afirmou Ludgero Marques, agora mesmo na RTP1, no programa Prós e Contras. Este é o mesmo homem que permanentemente acusa o Estado de despesismo. Conclusão: O despesismo do Estado é bom, quando verte a favor do Porto.

A calibragem da fruta

Um dos problemas da agricultura nacional é a calibragem da fruta. Ao contrário do que é voz corrente na boca dos próprios portugueses, a fruta portuguesa não tem dimensão suficiente, de acordo com os padrões da UE. Uma vez mais, o problema do excesso de auto-estima nacional. Depois queixamo-nos da invasão espanhola. Os nuestros hermanos não têm culpa de ter a fruta mais calibrada. Aliás, suspeito bem que fazem por isso, enquanto nós nos ficamos a queixar, sem nada fazer para ultrapassar este problema de subdesenvolvimento frutícola.

domingo, novembro 27, 2005

Uma questão de fé

Se Cavaco ganhar será apenas graças àquela parcela do eleitorado que votou em Sócrates para que esse, com a maioria absoluta, os salvasse da crise. Mas como Sócrates não se revelou Messias, antes exigindo esforço colectivo, fim de pequenos e médios privilégios e co-responsabilização na saída da crise, agora, resta-lhes crer noutro Messias que lhes possa trazer a salvação.

Micro dúvida

Podiam s.f.f informar-me quem é Maria Filomena Mónica?

O país profundo

Há um país profundo que um terço da população portuguesa, concentrada na sua única metrópole, ignora. É o país onde o 25 de Abril é apenas uma data de vaga memória, onde os crucifixos ainda não foram retirados das paredes das escolas. Estão lá pendurados há mais de trinta anos. Talvez há mais de cinquenta. Mas até agora ninguém se importou com o facto da democracia ainda não ter chegado a esse país. Depois hão-de queixar-se que os eleitores desse país aguardam ainda que um D. Sebastião surja do nevoeiro para os salvar.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Materiais para uma sociologia das classes

A blogosfera é um riquíssimo manancial de informação sobre o país. Há, inclusive, textos que nos fornecem material empírico para uma sociologia das classes e da estratificação social, a partir de histórias de vida contadas na primeira pessoa. Quanto da história, da estrutura e da textura social da sociedade portuguesa não é possível recolher nesta fonte inesgotável de conhecimento deste povo e desta nação que é a blogosfera nacional?

Avaliação internacional das universidades

1. É uma boa notícia, que só peca por tardia, a de que as universidades portuguesas vão passar a ser avaliadas por um júri internacional. Uma parte do trabalho das universidades, os seus centros de investigação, já o é há alguns anos. Não se compreendia que o ensino universitário não o fosse também. Mas não se pense, porém, que as universidades não eram já avaliadas, há alguns anos. Até agora, no entanto tratava-se de uma avaliação feita por uma comissão de avaliadores nacionais, composta por docentes de um mesmo curso, embora de outras universidades. Não escamoteando que existe competição entre os cursos ministrados em diferentes universidades, tal situação conduzia a que os cursos fossem avaliados por concorrentes. Não colocando em causa a objectividade de tais avaliações, haverá que reconhecer maior neutralidade a um "árbitro" que simultaneamente não faz parte daquele "jogo".

2. Aquela notícia revela ainda que o critério de empregabilidade dos cursos será um critério decisivo da avaliação. Uma vez mais, uma boa notícia, se em simultâneo se considerarem outros critérios, bem como a especificidade disciplinar de cada curso e a respectiva utilidade social, com base numa visão avançada dessa utilidade social e não a partir de uma qualquer tecnocracia de circunstância, economicismo ou "cientismo" baratos. A esse propósito revelava a notícia que medicina, enfermagem e medicina dentária, são cursos de empregabilidade total. Diríamos mais. Neste caso a percentagem de empregabilidade é "superior a 100%", sendo necessário importar profissionais de Espanha. Com os numerus clausus daqueles cursos em Portugal, não admiram tais taxas excedentárias de empregabilidade. Mas em compensação, não admira, também, que estudantes com média de entrada de 18 valores vão cursar medicina para o estrangeiro, apenas porque não tiveram vaga em tão "exigentes" universidades.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Sobre a estratégia do silêncio

Como diria José Pacheco Pereira: "Tenham medo. Tenham muito medo", de quem opta por uma estratégia de silêncio, digo eu. É que o silêncio mata. Digo isto apenas para não recorrer a uma metáfora, em versão adaptada, sobre um animal que morde.

O sentido da homofobia

Não me incomoda nada que duas raparigas se beijem ostensivamente. Não enquanto houver pelo menos uma no mundo que me beija a mim, recatadamente.

A ver passar os aviões

Tenho andado arredado daqui. Mas declaro solenemente que não é por andar a fotografar aviões suspeitos em aeroportos sem suspeição alguma de compromissos com a maior divindade do país. Não ando por aí a ver passar os aviões. Talvez seja por isso que considero que ainda falta um estudo. Um estudo sobre as malhas que o sector imobiliário tece.

Uma causa que também é nossa

Há uma fonte de informação e opinião fundamental no país que agora comemora dois anos de existência. Confesso que se deixasse de existir me faria mais falta do que os jornais impressos que ainda leio. Por isso agradeço aos seus autores, e em especial a Vital Moreira, a perseverança numa causa que é também nossa.

Já falta pouco para descansarmos

"Estamos cansados de palavras sem conteúdo",

Jorge Sampaio, Presidente da República.

domingo, novembro 20, 2005

Matrix

Há quem esteja a rever pela enésima vez um dos filmes Matrix. Só não percebo por que não tem o comando da Playstation nas mãos.

Modelo social spaghetti

Escreveu, em tempos, Boaventura Sousa Santos que em Portugal, na ausência, ou debilidade, de um Estado-Providência, o seu equivalente funcional foi, e é, uma Sociedade-Providência. Julgo ser factualmente verdadeira essa tese. Essa "virtualidade" da sociedade portuguesa para se substituir ao Estado, na sua função de regulador social, não me parece ser, contudo, merecedora de regozijo. Bem pelo contrário. Trata-se de um factor do atraso e do atavismo nacionais. Ela denuncia a presença forte na nossa matriz cultural do "familismo" e do "amiguismo", operantes não apenas na providência face à pobreza e aos desfortúnios da vida, mas genericamente, na providência face a processos de ascenção profissional e social, gestão de carreiras e de trajectos de vida, compadrios, clientelismos e caciquismos. Um conjunto de factores socialmente tipificantes em que a sociedade portuguesa mais se afasta de regiões da europa onde o Estado Providência se institucionalizou e ganhou foros de estrutura fundamental de organização política das respectivas sociedades, sociedades efectivamente modernas. Inversamente, é através daquelas caracteristicas de "sociedade-providência" que mais nos aproximamos daquelas regiões da Itália em que a Camorra e a Máfia têm um peso determinante nas respectivas estruturas sociais.

sábado, novembro 19, 2005

Por que motivos faltam tanto os professores?

O tema de contestação mais mediatizado na greve e manifestação dos professores foi as chamadas "aulas de substituição". O modo como a medida de actividades de compensação das faltas dos professores foi recebida pelos mesmos diz tudo do sistema de ensino que temos. Em primeiro lugar diz-nos que o abstencionismo dos professores se transformou numa regra e não numa excepção, como seria normal. E isso deveria ser merecedor de reflexão e analise. Em segundo lugar diz-nos que uma tal medida não encontra eco num modelo de ensino que, por mais reformas de que tenha sido alvo, se mantém impermeável à mudança há décadas, para não dizer há mais de um século. Pelas mesmas razões que o conteúdo, a efectividade e a produtividade de espaços educativos como Estudo Acompanhado, Área de Projecto e Educação Cívica, são iguais a zero, na generalidade dos casos. Não admira, pois, que não saibamos trabalhar em equipa, construir um projecto de trabalho, ter educação cívica nas estradas. Em suma, que não saibamos organizar-nos com civilidade. Mas estou já a ouvir os resmungos dos que defendem ser a escola o lugar onde se deve ensinar Matemática, História e Português e ponto final. É para isso que a escola serve. Pois bem, e ao menos a esse nível, quais têm sido os resultados? O que se sabe... Talvez as causas desses maus resultados nas "matérias fundamentais" estejam nos motivos que levam à necessidade de compensar tanta falta dos professores. Nas razões desse abstencionismo reside a explicação para o estado das coisas em matéria de ensino.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Todos eles são muito importantes

O problema fundamental do país não é a "falta de elites" ou a "falta de qualificações". O problema não é, também, como se julga frequentemente, a falta de auto-estima. Bem pelo contrário. O problema é mesmo o excesso de gente importante. Não me refiro aos vip, não. Falo do mediano português ou portuguesa, seja lá isso o que fôr. São todos muito importantes. Demasiado importantes. A estrutura social imaginária deste povo é, certamente, uma pirâmide social invertida, a avaliar pela elevadíssima auto-estima que por aí se vê. Não se governam, mas também não se deixam governar. Não faltava mais nada !

quinta-feira, novembro 17, 2005

Isto sim, é uma oposição responsável !

Repare-se no deleite com que os deputados da oposição, toda ela, estão a comemorar, felizes, esfregando as mãos de contentamento, as notícias da estagnação da economia, segundo as previsões do BdP e da CE.

Do PC ao Mac (revisto, como convém neste caso)

Por caminhos ínvios percebi, finalmente, a orientação de voto presidencial de tantos ex-pc's. Não votam no Manuel Alegre Socialista (Mas), mas sim no Manuel Alegre Cidadão(Mac):


"São anos e anos, muitas lutas, muitos sonhos, um sentimento quase familiar. Não se sai do PC de forma leviana. É uma decisão complexa e dolorosa. Mas eu tinha que sair. Estava desiludido, inquieto. Já não aguentava mais. E há três meses abandonei finalmente o PC. Custou um bocado, mas agora estou contentíssimo com o meu Mac."

Também eu nada percebo de economia e finanças

Se a economia não cresce, a produção de riqueza não cresce, as exportações não crescem e o desemprego cresce, como cresce, então, o consumo? Será apenas porque o endividamento cresce? Ou será porque a eficácia no combate ao crime económico também não há maneira de crescer?

"Nunca tenho dúvidas e raramente me engano"

Afinal não era suposto que Cavaco fosse o homem do rigor e do conhecimento da economia e das finanças? Como pode passar praticamente em claro um erro grosseiro destes? Cavaco terá anunciado na TVI que o número de desempregados ascenderia a 400.000 para o próximo ano. Ora, todos sabíamos que esse número já tinha sido largamente ultrapassado este ano. Infelizmente a estagnação da economia aí está a provar um crescimento do desemprego e o IEFP acaba de revelar que neste momento são já 487.730 os desempregados inscritos nos Centros de Emprego. Se assim é, até quem nada percebe de economia e finanças descortina que no próximo ano, numa conjuntura de estaganção económica, aquele número ultrapassará rapidamente os 500.000. Jesus Cristo nada sabia de finanças mas não cometeria, certamente, um tal erro. Não basta perceber muito de finanças a partir da torre de marfim da academia. É necessário, no mínimo, já não digo conhecer o país real, mas pelo menos ler os jornais. Mas Cavaco disse há muito que não os lê. Agora percebe-se.

sábado, novembro 12, 2005

É verdade

que as periferias de Paris são, provavelmente, o contexto territorial de toda a europa que mais tem sido, desde há décadas, alvo de estudos e projectos de integração social. Nessa medida, não sendo inéditos e nem sequer inesperados, os acontecimentos recentes interpelam o trabalho até agora desenvolvido e deverão originar uma profunda reflexão sobre as políticas públicas de integração aí prosseguidas.

La jeunesse n'est qu'un mot *

O culto da "juventude" (que na realidade não existe...) nas sociedades actuais - não por acaso tanto mais praticado quanto essas sociedades sejam sociedades etariamente envelhecidas - não seria preocupante se não tivesse subjacente, simultaneamente, a desvalorização do saber que pode advir da experiência acumulada. O que preocupa, de facto, é que, do mesmo passo, se está a promover a ignorância, em detrimento do saber.

* Texto de Pierre Bourdieu.

A média e a moda

O problema não é o que cada português bebe em média por ano. O problema é o que alguns bebem para que a média seja tão elevada. Ou seja, neste caso, o problema é claramente a moda. A moda é os que bebem muito, mas mesmo muito acima da média.

sexta-feira, novembro 11, 2005

A mandatária de Cavaco para a juventude disse:

(...)













(...)

Portugal telecomido

O princípio de que devem partir os bloggers que se queixam, com inteira razão, da velocidade real das suas ligações, ou da sua largura de banda útil, é que estão a falar de uma empresa do grupo tele come. A partir daí tudo é possível, inclusive velocidades de 25 Kb quando a contratada é de 4 Mb. Mas importa não esquecer que tal como a publicidade diz: "a partir de" -, por exemplo para o valor de uma mensalidade a pagar por um crédito automóvel, dependendo depois do valor do montante de entrada para a aquisição do veículo, nunca explicitamente referido na publicidade - também aqui se diz: "velocidade até 4Mb", o que não quer dizer que se chegue lá. Por vezes fica-se pelos 25Kb... Os restantes Kapas e Megas foram comidos pelo caminho e pela tele come. Dizem os entendidos que a distância entre o ponto de ligação (a casa ou escritório do cliente) e o nó mais próximo da autoestrada (nó de distribuição da rede), pode influir na velocidade. Dizem também os entendidos que a velocidade pode ficar próxima de zero se o número e grau de maldade de intrusões (trojans) no computador for elevado. Trata-se de bichesas mandadas para os nossos pc's quando navegamos na net. Alguns são "inofensivos", outros podem pilhar, apagar, espiar, o conteúdo das nossas vidas informáticas. Aquelas bichesas não são eliminadas pelos melhores anti-virus do mercado, exigem mesmo violência extrema para os liquidar, com arma apropriada. Uma delas, bastante eficaz, dá pelo nome de Spyware Doctor. Quem sou eu, para mandar bitaites informáticos. Ainda mais a quem trata os "baites" por tu. Em todo o caso, a empresa à qual contratei o serviço em causa, há alguns anos, disponibiliza aos clientes um aferidor de velocidade. Faço aí, com regularidade, os testes, bem como na ferramenta disponibilizada pela beltrónica, há algum tempo, e agora testei na maquineta divulgada pelo Tugir. Neste caso pude constatar uma velocidade de 1.52 Mb, quando a velocidade contratada é de 2Mb. Descontando os nós da autoestrada e os espiões que por ela viajam, parece-me haver direitos de consumidor a serem violados na solução tele come e noutras que por aí andam.

Declaração de desinteresse: Não tenho participação nos dividendos da vianetworks, mas até ao presente não tenho tido cortes de serviço frequentes como os que ocorrem com a NetCabo, nem diferenciais de velocidade assinaláveis e não resolúveis com o mata bichesas supra referido. De igual modo, o serviço de suporte ao cliente é rápido e eficaz.Eu cá não aceitaria continuar a ser, assim, telecomido...

quinta-feira, novembro 10, 2005

As injustiças da praxe nacional

Alguns sobreviventes da luta estudantil contra as propinas manifestaram-se hoje em Lisboa, engrossando o contingente da nova luta de classes que tem oposto os pobres e oprimidos deste país ao governo em exercício: farmaceuticos, polícias, militares, enfermeiros, professores, juízes. Em relação aos que lutam contra o pagamento de propinas quero sugerir que devido à indigência que os impede de pagar as propinas, deixem ficar o automóvel em casa, que a crise petrolífera não vai meiga e o passe social sempre é mais em conta para quem não pode pagar propinas. A vantagem seria o descongestionamento do estacionamento nos parques em redor dos estabelecimentos de ensino superior.

Declaração de interesse: tal opção implicaria que eu não tivesse de pagar estacionamento, passando a poder usufruir do estacionamento gratuito, agora superlotado, devido à enchente de automóveis dos indigentes que não podem pagar propinas.

A estupidez da praxe

Sempre achei reaccionária a ideia da ritualização das "tradições". A ideia de que as coisas são como são, "porque é da praxe". Quando as tradições nem sequer o são, então, as respectivas práticas são apenas estúpidas.

Cidadão global retro-activo

Ontem recebi um mail do Tribunal Eleitoral do Brasil informando-me que o meu cartão de eleitor tinha sido apreendido. Como não sabia que estava inscrito nos cadernos eleitorais do Brasil vou exigir agora votar retroactivamente. Quem sabe se não poderei influenciar o rumo dos acontecimentos políticos no Brasil, nos últimos anos.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Há dias assim...

Hoje foi um dia de boas notícias.

Vale a pena lembrar

1. Que o país "modelo de integração dos imigrantes" é um país de motins urbanos recorrentes, protagonizados não por imigrantes, mas por "afro-americanos", na expressão, não inocente, de alguma literatura e media norte-americanos.

2. Que se o modelo securitário e policial fosse solução do que quer que seja, para lidar com a "desordem", a "criminalidade", o "vandalismo" e a "violência urbana", a sociedade norte-americana seria a mais pacífica sociedade do mundo e não teria as taxas de criminalidade que tem.

3. Que a segregação residencial possui as suas causas na lógica de funcionamento do mercado imobiliário e, no caso europeu, no facto do sector público, sobretudo municipal, ter entrado no jogo do mercado imobiliário - a par dos promotores privados - e aí desempenhar, com frequência, um papel passível de uma grande discussão do ponto de vista do que deveria ser o papel do poder público nas politicas inclusivas, integradoras e de coesão social e territorial. O debate sobre a "guetização" dos "bairros sociais" na europa terá de passar por aquela discussão.

sábado, novembro 05, 2005

Periferias

1. O que até agora se escreveu sobre os acontecimentos na periferia de Paris situa-se, do ponto de vista analítico, nesse espaço geográfico. Periférico. Ninguém ainda se interrogou, com seriedade e objectividade de análise, sobre o significado do lugar geográfico e social onde os acontecimentos ocorrem.

2. Medeiros Ferreira levanta a questão, contrapondo o lugar periférico dos acontecimentos actuais ao lugar central dos acontecimentos do Maio de 68. Eu acrescentar-lhe-ía que a centralidade social dos "vândalos" de "bandos organizados" de jovens do Maio de 68 e da respectiva "violência", justifica o lugar geográfico central daqueles acontecimentos e a existência de um projecto, ao contrário dos acontecimentos actuais, periféricos até na ausência de projecto e de sentido da violência dos "bandos organizados" dos "vândalos" da periferia.

3. Justificações ideológicas para os acontecimentos é o que mais se lê, quer por parte dos que deram em ver no "neo-liberalismo" a causa de todas as coisas, quer nos que se colocam no pólo oposto daquela perspectiva, reflectindo, qual espelho, o seu simétrico. Para estes, o problema não possui causas nas políticas de imigração, emprego, urbanismo, ou na sua ausência, mas sim numa mera questão de "vandalismo" e "barbárie" que se soluciona com o exercício, puro e simples, da autoridade policial.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Estabilidade governativa

Fosse este MTV Awards realizado em Portugal há um ano e teríamos o primeiro-ministro de Portugal debaixo dos holofotes, aos pulos, ao lado de Madonna.

quinta-feira, novembro 03, 2005

quarta-feira, novembro 02, 2005

Causas globais: Proximizade

Proximizade

Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê. Aqui, já está a acontecer.





Pessoas que precisam, invisíveis. E pessoas que têm muito para dar, quando não desperdiçam. Tempo, motivação, consciência. E dinheiro, também.

Entre este binómio, uma via de comunicação. A blogosfera, internet no seu melhor quando o que se escreve e o que se lê tendem a conjugar-se no verbo aproximar.

Dois mundos nos antípodas, um vítima dos excessos e outro à míngua das suas migalhas. Gente com fome, crianças, que sobrevivem apenas para ganharem forças para fugir à miséria. Rumo ao lado de cá, que os recusa.

A caridade já não basta e é necessária intervenção. Amizade em estado puro, reunida por gente que bloga em torno de um objectivo comum: fomentar a generosidade como uma urgência e canalizá-la para as melhores mãos (as mais necessitadas).

Proximidade e mão amiga. Proximizade, feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê. E ao que se deixa por sentir.

Nós sentimos assim. E acreditamos numa sociedade que quer sentir da mesma forma e intervir sem demora.

Aqui, já está a acontecer.

terça-feira, novembro 01, 2005

Terramoto - um novo blog de Rui Tavares

Um dos meus bloggers favoritos dos tempos do Barnabé, o Rui Tavares, criou um novo blog sobre o Terramoto de 1755, como complemento ao livro que acaba de publicar sobre o tema. Uma referência obrigatória, portanto, de ora em diante, na blogosfera.

O argumento contra a partidocracia

«E, se formos para as autárquicas, exemplos não faltam de como o eleitorado, cada vez mais, premeia as listas de “independentes” face às listas partidárias.»

Exemplos de listas de "independentes" premiadas pelo eleitorado:
- a lista do Major Valentim,
- a lista da Drª Fátima Felgueiras,
- a lista do Dr. Isaltino Morais.

Não premiado pelo eleitorado, desta vez:
- Avelino Ferreira Torres.

Mas quem sabe se com a vaga de fundo contra a "partidocracia" que por aí vai, este "independente" não verá, no futuro, a sua sorte mudar.

Resposta apenas ensaiada

O companheiro João Tunes ensaia uma resposta à minha solicitação de definição de cidadania, não para definir cidadania, mas tão só para ripostar a um outro post que aqui inseri e ao qual, pelos vistos, apenas responde agora. Numa espécie de prato frio. A verdade é que fico sem resposta em ambos os casos. No caso da demagogia que antes critiquei e no caso da bizarra noção de "cidadania exógena aos partidos" que agora solicitei me fosse definida. Mas não deixo de registar os belos exemplos de "alegre cidadania" que nos deixa. Destaco o do movimento em torno de Otelo Presidente. Uma espécie de cidadania, "ou és por nós, ou vais dentro", "fascistas para o campo pequeno" e etc. Por outro lado, outro exemplo de "cidadania", o partido do generalíssimo Eanes. O partido contra os partidos. Um epifenómeno que não deixou saudades à democracia e que agora defende, pois claro, uma cidadania com uma "presidência musculada". Quiça, uma coisa assim latino americana, tipo Hugo Chaves, Perón, ou coisa parecida. Finalmente, sustenta como exemplo os "independentes nas autárquicas". Neste caso é o paradigma da cidadania à Major Valentim, a chamada cidadania "fo**-se", à Ferreira Torres, a chamada cidadania "aos pontapés", ou a cidadania à Fátima Felgueiras, a chamada "cidadania responsável mas não parva", ou cidadania foragida à justiça. Que belos exemplos de "cidadania encenada", não haja dúvidas...

Adenda: Responde o JT a este post acusando-me de não ir à substância da questão. Na verdade não fui à substância porque dela não havia rasto na resposta do JT. Relembro que o ponto era o conceito de cidadania. Por esse motivo peguei nos exemplos dados pelo JT para deixar clara a minha perspectiva. E essa é a que defende não ser a oposição partidos versus cidadãos organizados fora dos partidos, uma boa oposição para a democracia, já que esta deve ter nos partidos uma base fundamental. Mas essa é uma discussão para a qual o JT não oferece argumentos que mereçam discussão. Pelo contrário, o JT prefere enveredar pelo ataque pessoal, chamando para ela quem não tinha de ser chamado, já que a minha questão sobre a cidadania não tinha necessariamente relação com a candidatura de Mário Soares, e aí obriga-me a encerrar esta discussão por se tratar de um nível ao qual não desço e muito menos reconheço ao JT, pessoa que nem sequer conheço pessoalmente, condições para sobre mim formular juízos de carácter.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Solicito definição de cidadania

É extraordinário o que se tem ouvido da boca de pessoas da candidatura de Manuel Alegre e do próprio sobre a origem da sua candidatura: "esta candidatura nasce da cidadania e não dos partidos". Em primeiro lugar porque o candidato é um dos mais antigos homens de partido, e bem, da democracia portuguesa. Em segundo lugar, e fundamental, porque aquela frase tem como pressuposto que os partidos são exógenos à cidadania ou esta estranha aos partidos, o que remete esta concepção de cidadania para algo de bizarro e que eu gostaria que me explicassem e definissem melhor.

Alegremente divertido

Tenho-me divertido alegremente com a profusão de referências alegres a expressões e opiniões por mim usadas aqui e alegremente mal interpretadas noutro blog que muito aprecio e que alegremente resolveu, qual menino rabino, não fazer o respectivo link da praxe.

sábado, outubro 29, 2005

Há espaço para outra candidatura à direita

Santana Lopes defendeu hoje que há espaço para outra candidatura à direita, pois a candidatura do centro-direita de Cavaco Silva não esgota o espaço político à direita. Tem inteira razão. Creio que ele próprio, ou Paulo Portas, deviam chegar-se à frente e avançar para uma candidatura a Belém.

O saldo negativo das migrações de cérebros

Concordo com o Rui Pena Pires que importa descontar o sensacionalismo e nacionalismo na notícia da fuga dos cérebros portugueses. Mas não será que o problema existe na medida em que o saldo entre saída e entrada de "cérebros" parece ser desvantajoso para Portugal? E não será esse facto um sinal da fraca capacidade nacional, não digo para a retenção desses "cérebros", mas para a atracção de "cérebros" independentemente da sua nacionalidade? Creio ser crescente o número de jovens que emigra (antes de "serem cérebros") para a obtenção de qualificações graduadas e pós-graduadas. Até aí tudo bem. Esse é, por si mesmo, um sinal positivo. Mas o facto de muitos deles (serão a maioria deles?) não regressarem, não será um sintoma da falta de oportunidades e expectativas de melhor futuro em Portugal e da escassez do desenvolvimento do país, face às exigências desses jovens, crescentemente informados sobre as oportunidades profissionais e de vida noutros paises? Por outro lado, não será que a parcela de mão-de-obra altamente qualificada do contingente proveniente dos países de Leste - além de ser ignorada nas suas qualificações, por razões corporativistas mas também porque o país não reune, no seu tecido económico e mercado de emprego, capacidade de absorpção dessa mão-de-obra qualificada - é um contingente em decréscimo à medida que se iniciam processos de acelerado desenvolvimento das respectivas economias, agora que muitos deles aderiram ou estão a preparar-se para aderir à UE? A serem positivas as respostas a estas questões, o problema parece existir, de facto, e possuir a sua origem na debilidade estrutural da base económica nacional e na fraca modernização do nosso aparelho estatal e da nossa estrutura empresarial. Ambos desajustados face às novas exigências do mercado de emprego global no que aos sectores económicos e profissionais mais qualificados diz respeito. Reverter esta situação é, parece-me, tarefa para algumas décadas. Enquanto isso corremos o risco de perder um comboio em andamento e em alta velocidade.

Tempo bom

Chuva, muita chuva. O mau tempo vai continuar, dizem. Engano. Chuva não é mau tempo. Pelo contrário. Chuva é tempo bom.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Dois anos de judiaria

A Rua da Judiaria é um blog de culto. As suas qualidades já aqui as exaltei por diversas vezes, incluindo há um ano por altura do seu primeiro aniversário. Faz hoje mais um ano de existência e o trabalho dedicado e profundo do seu autor justifica todo o êxito que aquele blog tem alcançado, posicionando-se entre os mais notáveis da blogos nacional. Felicitações ao Nuno Guerreiro, por tanto do conhecimento que nos tem trazido.

Ansiando pelas majorettes















Primeiro foram as bandeiras multiplicando o nacionalismo e a gravata vermelha. Depois foram as fotos de família no jornal Expresso. Agora foi o "Uncle Sam Needs You". Não tarda virá a frase: "Não perguntes o que o país pode fazer por ti, mas sim o que tu podes fazer pelo país". E as majorettes? Sim, quando aparecem as majorettes?

O argumento urbanóide

O meu post intitulado "O não argumento" foi recomendado por alguns bloguistas e criticado por outros. Não pretendo prolongar qualquer discussão sobre o assunto, até porque não "durmo em serviço" e o meu candidato não é Cavaco, mas não quero deixar de reiterar que a designação Professor de Boliqueirme, a meu ver, tem subjacente uma narrativa que revela o sentido de assimetrias de poder oriundas do lugar (social e espacial) de origem dos seus protagonistas. O que está em questão não é o epíteto "Professor" mas sim o "Boliqueime". Que o LNT não tenha dúvidas que quando na sua tropa se apelidava os mancebos originários do distrito de Viseu, como "O Viseu", era extactamente isso que estava em jogo. A questão não é de "pureza linguística escandalizada", argumento reiterado aqui, mas sim de refutação da discussão política baseada em critérios discriminatórios sustentados no lugar social de origem e nos territórios homólogos, num país em que o seu atraso, no contexto europeu, está ainda profundamente marcado pelas assimetrias territoriais de desenvolvimento e de acesso ao poder, no sentido alargado do conceito de poder. Ao contrário do que julgam os julgadores baseados naqueles critérios, a sua postura não revela qualquer supremacia pretensamente cosmopolita mas, inversamente, um profundo provincianismo de argumentos.

Rankings

Recomendo vivamente a consulta deste ranking. Mas os dados respectivos devem ser lidos até ao fim. Da esquerda para a direita, em linha. Começando pela linha um e continuando na linha 2.

A táctica do quadrado

O motivo pelo qual o país está onde está é precisamente esse. Cada um apenas se preocupa em defender o seu quadradinho.

Desabafos

Vivemos um tempo em que a crise de legitimidade da governação e dos políticos está cada vez mais presente nas representações e discursos veiculados pela opinião pública e pela opinião publicada. Mas em dias em que se testemunha o que hoje testemunhei de postura por parte de alguns cidadãos; perdoar-me-ão os leitores, mas só me ocorre dizer que não sei como ainda há quem aceite governar este povo que não tem o mínimo sentido do interesse colectivo, da responsabilidade cívica e dos deveres de cidadania.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Barata demagogia

Com a devida consideração pelo João Tunes, não posso deixar de registar aqui o quão barato vende demagogia ao publicar uma cópia digitalizada do despacho do ministro da justiça em que nomeia uma assessora para a manutenção dos conteúdos da página oficial do ministério. Se o valor acrescentado para a qualidade da justiça e da cidadania, bem como para a eficácia e produtividade dos serviços públicos, vier a ser metade do que se regista, por exemplo, com este serviço web das finanças, os 3254 euros (650 contos ilíquidos) de vencimento, para a manutenção daquele serviço, constituirão um mau exemplo de justiça remuneratória. "Bons empregos", na óptica do despesismo, do clientelismo e do amiguismo partidários, são empregos de assessores com vencimentos de valores muito superiores àquele, e de cuja competência para o cargo e produtividade para o Estado e os cidadãos, se pode dizer que são iguais a zero. É este o ponto em que a questão das remunerações dos assessores deve ser, quanto a mim, colocada.

terça-feira, outubro 25, 2005

Dupont et Dupont












Ramalho Eanes sempre foi um admirador de Cavaco. Sabemos agora porquê. Ambos partilham do mesmo sonho: uma "democracia" sem partidos.

domingo, outubro 23, 2005

Então e o argumento da má-fé?

Do ponto de vista argumentativo, devo confessar que concordo muitas vezes com o que escreve e diz Pacheco Pereira. Muitas outras nem por isso. Ao ler este texto e a respectiva argumentação no Abrupto pensei exactamente o que aqui diz, com mestria, o Miguel Cabrita. Assim não dá. Relembro o argumento da má-fé, que JPP tanto aprecia. Se este texto de JPP sobre o blog Super-Mário não é má-fé, ou um encadeado de juízos de intenção, então o que é? Mas há um sinal neste texto de JPP que o devia conduzir à auto-análise. É que este texto revela um estilo e um léxico que ele tanto tem condenado no BE e em Louçã. O que quererá isto dizer do ponto de vista da contenda eleitoral que se avizinha e da ansiedade sobre os respectivos resultados?

O não argumento

Já uma vez aqui protestei contra o argumento anti-cavaquista baseado na expressão "o professor de boliqueime", pelo que essa expressão tem de implícito racismo social e sobranceria pequeno burguesa urbana pretensamente (mas só pretensamente) cosmopolita. Não é por argumentos que não o chegam a ser que espero ver contraditada a candidatura de Cavaco e muito estranho que gente que se reclama da esquerda democrática e republicana enverede por esses caminhos. Acresce que o uso de tal estilo na análise e comentário político, do ponto de vista estritamente táctico, é um estrondoso tiro no próprio pé. Da parte do sector político onde me situo exigo outra postura e em particular da candidatura que apoio aguardo argumentos com outro patamar de qualidade.

Declaração de desinteresse: nasci e vivi toda a vida em cidades. Há cerca de trinta anos que resido na cidade de Lisboa.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Campanha eleitoral

A Impresa já começou a campanha eleitoral. Na SIC-N discute-se as presidenciais mas só se fala das virtudes ganhadoras de Cavaco. Não há um único comentador que não seja alinhado com Cavaco.

Pois...

«Não tenho porta-voz. Eu sou o porta-voz de mim próprio. Ninguém da minha candidatura está autorizado a falar por mim»

(...)

«A Assembleia Nacional tomará uma decisão...»

Aníbal Cavaco Silva, Candidato a PR, 21 de Outubro de 2005

A política anti-políticos de Cavaco

Ao contrário do que diz Pacheco Pereira, o conteúdo da entrevista de Morais Sarmento é para ser levado muito a sério. É certo que em Cavaco não se justifica o pendor revanchista no seu presidencialismo caudilhista e messiânico, como no seu correligionário Sarmento - que ainda não digeriu a varridela do poder que recentemente sofreu - mas isso apenas sucede porque em Cavaco a visão da política sempre consistiu no seu entendimento subjacente à visão que dela tinha Salazar: acima das lutas partidárias. Ela deve ser a arte da liderança individual de um homem só, iluminado e regenerador da Pátria sempre em perigo nas mãos ignóbeis de "políticos profissionais". A sua visão da política, a sua política e as suas políticas, sempre consistiram em colocar a render esse capital político que advém do discurso popular e populista contra os "políticos profissionais". É isso que o povo quer ouvir. Ou, pelo menos, é isso que Cavaco acha que o povo quer ouvir. Esta é uma ideia política. E não é exterior à política. Tem um nome e é extremamente nefasta para uma concepção verdadeiramente liberal e republicana da democracia. É fundamental, por isso, que todos os que partilham dessa concepção da democracia não embarquem em candidaturas ingénuas, de oportunidade político-partidária, ou pessoal, e votem em Soares.

As cores da gravata

A gravata é um símbolo. Diz-me que gravata usas e dir-te-ei não o que és mas o que pretendes significar que és. Eu que até gosto de gravatas verdes sempre achei excessivo que os dirigentes do sporting usassem sempre que aparecem nessa qualidade e mesmo sem o fardamento do clube, uma gravata verde. Que os associados do sporting tenham engolido tanto sportinguismo de gravata de Dias da Cunha, Bettencourt e Lopes, não me admira. Apenas espero que os portugueses de esquerda não escorreguem na gravata vermelha de Cavaco.

Os liberais e os seus inimigos

Já me tinha parecido que estes liberais não vêem lá muito bem. A realidade, quero dizer. Por isso vêm com balelas primárias destas, sobre "os liberais vistos pelos seus inimigos":

«A positividade da empresa: É curioso, mas os liberais vêm * a perfeição nesse modelo que é a “empresa”, quando falam das “empresas” adoptam um tom divinatório, convencidos de que as “empresas” irão resolver “os problemas” se puderem simplesmente “ser empresas”, operar. Isto é a ontologia da empresa, assim mesmo com estas palavras.»

* sublinhado nosso.

Os piores inimigos destes liberais vêm deles próprios. Mas eles não vêem isso...

quinta-feira, outubro 20, 2005

Cynical matter

As "meninas" que após terem tentado vender, sem êxito, a sua história sobre Cristiano Ronaldo aos tabloides britânicos, o denunciaram à polícia, argumentaram exactamente o quê para o terem acompanhado até ao quarto de hotel? Que o futebolista as convidou para lhes mostrar a sua colecção de borboletas que guardava no cofre do quarto?

quarta-feira, outubro 19, 2005

Super-Mário

Um blog a seguir e a difundir.

Direitos adquiridos (3)

«É extraordinário como a CGTP que foi a confederação dos sindicatos da classe operária se transformou no sindicato dos privilegiados dos corpos especiais do Estado»

Silva Lopes, em resposta a Ernesto Cartaxo, dirigente da CGTP que reclamava a defesa dos direitos adquiridos pelos trabalhadores do Estado, no programa Prós e Contras da RTP, 17 de Outubro de 2005.

Direitos adquiridos (2)

«Os nobres em França também reclamaram direitos adquiridos. Veja o que lhes aconteceu...»

Silva Lopes, em resposta a Ernesto Cartaxo, dirigente da CGTP que reclamava a defesa dos direitos adquiridos pelos trabalhadores do Estado, no programa Prós e Contras da RTP, 17 de Outubro de 2005.

Direitos adquiridos

«Não há nada mais reaccionário do que a expressão 'direitos adquiridos'»

Silva Lopes, no programa Prós e Contras da RTP, 17 de Outubro de 2005.

Quanto vale um ranking internacional?

Sempre tive uma postura de desconfiança avisada em relação à maioria dos indicadores comparativos do que quer que seja, produzidos por alguns organismos internacionais. Das taxas de alcoolismo, ao desenvolvimento dos paises, passando pela poluição do ar e chegando à competitividade das economias. Foi precisamente sobre a medida comparativa desta última que recentemente veio a público mais um relatório do género, com o respectivo ranking elaborado pelo Fórum Económico Mundial. Este, para nosso gaúdio, posicionava Portugal entre as vinte e duas economias mais competitivas do mundo. Portugal sobe mesmo dois lugares no referido ranking, face ao último ano, passando de 24º para 22º, num total de 117 países comparados. Espanto maior, ainda, advém do facto de termos já deixado para trás países como a Bélgica, a Itália, a Espanha, a Irlanda e a França (!). Mas atenção, entre as vantagens competitivas de Portugal, apontadas no relatório, situa-se a tecnologia e inovação, medida por vários indicadores, entre os quais o número de telemóveis. Os economistas dir-me-ão se estou enganado, mas julgo que as vantagens competitivas relativas à tecnologia e inovação se medem pela presença das mesmas na produção de um país e não no seu consumo. Os telemóveis que os portugueses consomem aos pares são produzidos algures, ou até em Portugal, mas graças à inovação resultante do investimento em I&D realizado na Finlândia, no Japão, nos EUA. Ora, a nossa grande desvantagem competitiva parece residir, precisamente, na debilidade tecnológica e de inovação do nosso sector produtivo e no desequilíbrio entre a elevadíssima importação de bens de consumo e a baixa capacidade para produzir e exportar bens que apresentem vantagens comparativas no mercado global. Essas vantagens, pelo que se tem avançado, passam sobretudo pela incorporação de inovação tecnológica e de design dos bens transaccionáveis produzidos. Ou temos andado todos equivocados nos discursos e análises sobre a economia nacional, ou este "Global Competitiveness Report 2005-2006" é uma piada.

domingo, outubro 16, 2005

Histórias da História

Não será que a Cruz Vermelha "nunca apoiou as famílias dos presos políticos antes do 25 de Abril", porque o regime de então era o que era e que, inversamente, após o 25 de Abril apoiou as famílias dos agentes da PIDE presos, porque os responsáveis de então pelas cadeias, não só permitiram esse apoio como lho solicitaram, numa atitude que lhes ficou muito bem do ponto de vista da sua coerência com os seus princípios e valores democráticos?

Modos de produção e regimes de comunicação

A folha de papel e a caneta continuam a ser indispensáveis para o trabalho de pensar.

sábado, outubro 15, 2005

Duas papoilas e meia
















nu (papoilas), técnica mista sobre tela, Cátia Mourão, 2001.

Agendas

Perdi a minha em 1998. Este ano voltei a encontrá-la. A partir de agora também eu tenho uma agenda.

sexta-feira, outubro 14, 2005

A direita vem a terreiro

Vai ser muito difícil derrotar Cavaco. Mas será imprescindível reunir todos os votos para evitar esta deriva que se prenuncia. Ao não votarem em Soares, todos os que dispersarem os seus votos pelos restantes candidatos da esquerda sem o mínimo de hipóteses de eleição, poderão ficar com o ónus da responsabilidade histórica desta deriva "caudilhista". Na história recente do país tivemos no eanismo uma versão ligeira de uma tal perspectiva do papel do presidente. Não será por acaso que o general já declarou o seu apoio a Cavaco.

A terceira ponte

O sector mais dinâmico da economia nacional, o sector imobiliário, tem andado cabisbaixo. Faltam os euros no bolso das classes médias. Apertam as finanças com o controlo das mais valias. Fiscalizam-se os montantes reais das transacções imobiliárias. É preciso animá-los. O orçamento de estado para 2006 prevê uma terceira ponte para o efeito. Construtores civis arrumem o estaleiro que o destino é o Barreiro. Lisboa prepara-te que aí vêm mais carros e dióxido de carbono.

terça-feira, outubro 11, 2005

Conversa em família

Foi proposta a sua reedição. A noite passada, no P&C. Inovação na comunicação política: regressemos atrás no tempo. Mais de trinta anos.

O dia seguinte

é o nome de um programa sobre a bola, na SIC-N, onde à segunda feira se dissecam os jogos, as arbitragens, as jogadas. No dia seguinte a ter ganho a câmara de Sintra - apenas com o capital mediático do universo futebolístico e nada mais - lá estava o comentador da bola. Para justificar a sua eleição. Sintra pode esperar. Mais quatro anos.

domingo, outubro 09, 2005

Há derrotas boas para a democracia

A derrota de Pinto da Costa e dos super-dragões no Porto é um bom sinal para a democracia.

Vitórias que esmagam

As vitórias esmagadoras são sempre um mau sinal para a democracia, como se prova pelos resultados de Oeiras, Gondomar e Felgueiras.

Resultados

Bons para reflexão do PS. Se disso for capaz.

sábado, outubro 08, 2005

Um gole de água sem gás

«O SG do PCP disse claramente, com todas as letras, que o mais importante nestas eleições, acima da opção quanto à resolução dos problemas locais, era a avaliação da política do Governo e o seu castigo nas urnas. Julgo que o terá feito com a barriga inchada pela mobilização, que ele julgará que reverterá em meritização eleitoral do PCP, dos sectores mais avançados, concientes e combativos da classe operária em luta contra o Governo – militares, esposas dos militares, polícias, juízes, oficiais de diligências, funcionários públicos, professores, médicos, enfermeiros e donos de farmácias

João Tunes, no seu melhor. A ler no Água Lisa.

Micro-causa

Subscrevo o pedido de esclarecimento do Bloguítica. Ou o Público esclarece os factos que sustentaram a notícia da existência de contactos entre FF e responsáveis do PS com vista ao seu regresso a Portugal - desmentida categoricamente por Sócrates - ou aquele jornal sujeita-se a perder o direito ao estatuto de jornal de referência nacional, para passar ao estatuto de pasquim sensacionalista ou ao serviço eventual sabe-se lá de que interesses. Estão em questão a verdade jornalística, a deontologia da profissão e a honorabilidade do Estado, já que a noticia envolvia o Presidente da AR.

Combates, tiros e alvos

Concordo inteiramente com a ideia de Medeiros Ferreira. Não tenho nenhuma dúvida em apoiar, ou melhor, exigir, que as polícias cumpram o seu dever e combatam, não o enriquecimento ilícito, mas sim as actividades criminosas que o geram. Mas creio que esse combate exige uma espécie de complemento ético-político: o combate simultâneo ao empobrecimento. E este se não é ilícito é sempre ilegítimo.

É a economia...é a economia...

Não serão as pontes, os túneis, o alargamento do IC19, as taxas penalizadoras da entrada na cidade, ou as multas de estacionamento que irão reduzir o fluxo de automóveis ao centro da metrópole de Lisboa. Só o investimento na criação de economia geradora de empresas que criam efectivamente emprego nos concelhos periféricos à cidade de Lisboa, permitiria inverter o quadro actual de irracionalidade económica, urbanística, ambiental e de qualidade de vida. Mas isso exigiria algo que o actual quadro administrativo territorial do país não dispõe. Um governo metropolitano de Lisboa. Não inoperante como as juntas metropolitanas actuais, mas sujeito a escrutínio e com responsabilidades de planeamento e gestão territorial, sujeitas a avaliação. Eis um caso em que um acréscimo de despesa pública seria largamente compensado por ganhos de produtividade do trabalho e de rendibilidade da economia da capital do país e, logo, do próprio país.

Autarcas de segunda geração

Houve quem afirmasse que esta campanha eleitoral elevou a fasquia da qualidade, tomando como exemplo o caso de Lisboa. Pelo curriculum dos candidatos em contenda e nível técnico dos debates. Não vou contrariar essa ideia, ainda que não seja inteiramente líquido que os discursos, na sua generalidade, tenham descolado em absoluto do autarca português de primeira geração. Quando muito configuram o autarca de segunda geração, de transição, portanto, para o que se exigirá ao autarca de terceira geração. Ainda assim deve registar-se o facto da presença de Marques Mendes, Louçã, Ribeiro e Castro e Jorge Coelho, ter permanentemente feito marcha a ré nesse crescendo de qualidade rumo a uma outra lógica de exercício da política local territorializada. Do mesmo modo que considero de justiça registar que Maria José Nogueira Pinto protagonizou, pelo conteúdo objectivo das suas propostas, a candidatura que melhor interpretou o papel que se exigirá a uma terceira geração de autarcas do país.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Cada actor com o seu papel

Os tempos actuais e os que aí estão a emergir serão tempos que exigem a participação dos cidadãos na vida pública. Colectivamente ou individualmente todas as formas de exercício da cidadania serão, pois, de aplaudir. A tansmutação do cidadão pró-activo no político de partido é que não parece ser grande ideia, como ficou empriricamente demonstrado no caso prático do candidato do BE à autarquia da capital do país. A incapacidade para o desempenho discursivo e formulação de opinião consolidada de natureza multisectorial que se exige ao candidato autárquico da capital do país foi, no caso em apreço, pouco menos que confrangedora.

Até já se acendem velinhas

Depois das sondagens e da quase totalidade dos fazedores de opinião terem previsto uma estrondosa derrocada do PS, ou pelo menos uma vitória significante do PSD, nas autárquicas - eis que existem sinais para crer que provavelmente não serão bem esses os resultados nas urnas de voto do próximo dia nove. Pelo menos a avaliar pelo funeral a que estamos a assistir em directo do Pavilhão Atlântico de Lisboa. Há inclusive um candelabro com velas acesas à frente do palco para minimizar a falta de chama entre os militantes presentes.

Post-scriptum: Tratava-se do comício de encerramento da campanha do PSD. Discursavam Marques Mendes e Carmona Rodrigues.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Desmaterialização de processos

Pois eu também estou a procurar desmaterializar o meu trabalho. Mas como consequência desconfio que necessito de ir ao oftalmologista.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Prontos. Já está!

O pessoal do bué, tipo, prontos, já chegou à Universidade. Mas o que é do pior é memo o setôr. Aqui fica o apelo aos meus colegas que os apanham à entrada. Por favor, digam-lhes que o setôr ficou no secundário.

terça-feira, outubro 04, 2005

Excitação

Estado resultante do estímulo do sistema nervoso, não necessariamente em sentido erógeno.

The croquette business

A parte que eu mais gosto das redes científicas internacionais é aquela parte em que as pessoas andam com um palito na mão a engolir croquetes.

domingo, outubro 02, 2005

Autumn Leaves

Words of Wisdom

"A ti só te conquista quem não quiser conquistar-te."

sábado, outubro 01, 2005

Barbaridades

"Bárbara na rua agita hostes do PSD", título do DN de 29 de Setembro de 2005.

Google Earth

"Ver o mundo do alto, e o sentimento de omnipresença que daí decorre, é um mito humano bem mais antigo do que o avião, que tornou esse sonho material. O Google Earth inventa a omnipresença absoluta. Vemos o mapa real do alto ou de lado, como se fossemos a aterrar podemos escolher todos os pontos de vista. Como as imagens, mesmo se diferidas, são reais, ganhamos o domínio simbólico da totalidade do espaço. O mundo físico tornou-se parte integral do mundo simbólico. Tal como o Google se tornou, nestes sete anos, a principal porta para a totalidade do mundo da informação, em permanente transmutação na Internet."

Miguel Gaspar, DN, 29 de Setembro de 2005.

Em que autarquia concorre?

"Cavaco muito perto de vencer à primeira volta", titulava o DN há dois dias.

Terminator

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, debateu-se com um grande incêndio, embora sem consequências para a integridade física dos seus concidadãos, no seu Estado. Por que não mandou lá o Terminator?

Kafkas cá de casa

Os jornalistas questionam agora, em plena campanha para as autárquicas, os políticos sobre as presidenciais. Se eles respondem acusam-nos de estarem a baralhar as coisas. Se eles não respondem acusam-nos de estarem a fugir ao tema das presidenciais.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Sondagens de Opinião

Recentemente respondi a uma sondagem de opinião, telefonicamente. Acreditem que não sabia qual a marca de pneus que uso no meu carro. Na verdade já terei reparado na dita cuja, mas confesso que com a quantidade de informação relevante que tenho de memorizar, a marca dos pneus do meu carro é uma informação que entra por um olho e sai pelo outro. Pior ainda. Fui confrontado com a pergunta sobre as marcas de pneus que conhecia e apenas fui capaz de mencionar cinco, quando na realidade, fiquei a saber pelo entrevistador, existem mais de vinte. As cinco marcas que fui capaz de referir são, obviamente, aquelas que mais frequentemente são publicitadas nos media. Quando questionado sobre a próxima data em que iria trocar de pneus e sobre a marca que iria adquirir, fui compelido, perante embaraçosa indecisão, a avançar uma data aproximada e uma marca hipotética. "Olhe, se não for em Outubro, já só será em Janeiro e pode ser Michelin porque gosto do boneco gordo..."

quarta-feira, setembro 28, 2005

Terrorismos

Alguém não terá apreciado a entrada anterior e resolveu eliminar-me o template. Uma cópia de segurança (desactualizada) resolveu a questão. Por esse motivo algumas ligações ressuscitaram e outras mais recentes desapareceram. Actualizações in progress. Também eu sou obstinado. Até já...

É a pronúncia do norte

Uma concorrente de um programa televisivo, guia turística de profissão, contava que os turistas americanos julgando com frequência ser Portugal uma província espanhola, a questionavam: "vocês têm um grupo terrorista no norte do país, não é?". Ela lá explicava um pouco da história da Nação e da Península Ibérica. Mas enganava-se. Deveria responder que sim. Que temos um grupo separatista no norte e que os seus líderes máximos se chamam Pinto da Costa e Ludgero Marques.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Nos bastidores do reality show

Quem não se sente não é filho de boa gente, disse Carrilho na sequência do episódio do aperto de mão cínico de Carmona ao qual não correspondeu. A frase pretendia afirmar uma superioridade moral de carácter e de linhagem, em matéria de honra e dignidade. Mas acima de tudo pretendia significar uma postura de honestidade política e sinceridade de sentimentos. Menos de uma semana depois Carrilho apertava a mão a Carmona. Foi quanto durou a honestidade política e a sinceridade de sentimentos de Carrilho: Menos de uma semana. O cínico Carmona, por sua vez, permaneceu cínico e estendeu a mão a Carrilho, demonstrando-lhe a sua sinceridade de sentimentos e a sua honestidade política. Depois de lhe chamar ordinário. Carmona mostrou que sabe perdoar um ímpeto mais irreflectido de quem desconhecia continuar a ser seguido pelas lentes que podem levar a crua verdade ao povo eleitor. Mostrou ainda, a sua superioridade moral e de carácter àquele que, julgado nos bastidores do reality show da política, não lhe correspondeu em barómetro de cinismo.

Desconfundindo os planos

Para ler atentamente até ao fim. Aqui.

domingo, setembro 25, 2005

Confusão de planos (3)

Não me admiraria que Isaltino, Valentim, Ferreira Torres e Fátima Felgueiras se candidatem por estarem convictos que os resultados da sua corrida eleitoral poderão influenciar a decisão do tribunal. Embora seja inquietante, para a democracia e o Estado de Direito, que uma tal hipótese de confundir a esfera judicial com a esfera política lhes possa, eventualmente, ter passado pela cabeça. O que admira mais, no entanto, é a confusão implícita entre a esfera política e a esfera judicial por parte de comentadores e até políticos responsáveis (como Cavaco Silva e Marques Mendes) ao comentarem o caso do regresso de Fátima Felgueiras. A resposta democrática e dos tribunais a estes casos apenas deve ser a de deixar claro, nos respectivos processos judiciais, que um eventual capital eleitoral não pode ser colocado a render, como eles hipoteticamente julgariam, em sua defesa no banco dos réus e que, portanto, o resultado desses processos é absolutamente independente de quaisquer resultados eleitorais. No plano político, se a justiça funcionar como todos desejamos que funcione, apenas haverá presidentes de câmara declarados inocentes pelos tribunais. Aqueles que o não forem, perderão o direito ao exercício do cargo. Não será assim?

Adenda: A hipótese veiculada na imprensa de que o PS teria negociado com FF o seu regresso ao país é, quanto mais não seja do ponto de vista da mera lógica, absurda. Que interesse teria o PS no seu regresso, mesmo a tempo da campanha eleitoral autárquica? Só no registo de uma qualquer teoria conspirativa, alguém no PS militantemente anti-Sócrates poderia beneficiar com um tal "regresso negociado".

Globalização do capital e localização do trabalho?

Caro Paulo,

Eu deixaria a coisa (o futuro não improvável) um pouco menos linear, no que concerne à diferenciação social (ou sócio-profissional) da mobilidade. A capacidade de mobilidade do capital, das mercadoriais, como das pessoas, será um dos factores decisivos das novas formas de diferenciação social, a par (ou em articulação com) o acesso à informação e ao conhecimento. As elites terão maior capacidade de mobilidade, como maior capacidade de aprovisionamento dos meios para tal e bem assim como para acesso à informação e conhecimento. No entanto, a ideia de "fixação ao solo das massas populares" creio que deverá ser relativizada. Uma maior mobilidade do "trabalho" será igualmente um imperativo da economia globalizada. Mesmo do trabalho de fracas exigências em qualificações e especializações. Mas também do trabalho altamente especializado, ainda que em profissões de "trabalho manual". Porque será escassa a oferta do mesmo em alguns países e porque será imperativo das assimetrias mundiais, mas também devido à própria mobilidade dos restantes factores produtivos, nomeadamente do capital. O trabalho "irá atrás" das localizações do capital. A ideia (já actual) do universo cosmopolita das metrópoles contemporâneas não será (também) consequência dessa mobilidade crescente das "massas populares" à escala global? Acontece que poderemos não estar a falar do sector industrial, no caso das metrópoles mundiais, mas do sector dos serviços à produção (localizada esta algures no globo). Ou do sector "reprodutivo" (restauração, lazer, entretenimento, cultura). Todos eles exigentes, também em matéria de "mão-de-obra" de relativa ou baixa qualificação, proveniente das migrações internacionais e não apenas das "elites profissionais" altamente qualificadas que circulam à escala global. Tenho para mim que o grande traço de continuidade da história da humanidade é o crescimento da capacidade de mobilidade e que a modernidade contemporânea intensificou essa capacidade, com a massificação necessária do transporte aéreo e dos meios electrónicos de mobilidade. E tenho também para comigo que embora mantendo diferenciações sociais e criando novas formas de desigualdade a esse nível, a generalidade dos cidadãos de um mundo crescentemente cosmopolita serão cidadãos com crescente capacidade (e necessidade) de mobilidade. As elites, como as "massas populares", de forma diferenciada, bem entendido.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Isaltina se tu fores às urnas

Pronto. Já está. O PS já tem a sua Isaltina. As eleições autárquicas podem ser amanhã.

A hipocrisia dos senhoritos

O que os senhoritos quiseram dizer foi que as mulheres que recorrem à interrupção voluntaria da sua gravidez e, por esse facto, são julgadas em tribunal, “apenas” são publicamente humilhadas. Delas “apenas” se expõe publicamente o que de mais íntimo e doloroso haverá nos seus sentimentos. Mas depois são libertadas. Não são presas. O que isto quer dizer é que o que importa, para os senhoritos, é preservar a hipocrisia e perpetuar o seu status quo.

quarta-feira, setembro 21, 2005

The american way of brainwashing

Segundo os meios de comunicação, o Mayor de New Orleans suavizou as suas críticas à administração americana e está agora mais calmo, após ter aceite a proposta de Bush para tomar um duche no Air Force One.

Mais anti-americanismo

Tem estado a dar na SIC-N no programa 60 minutos, versão portuguesa apresentada por Mário Crespo do programa da CBS, uma reportagem sobre o caso Katrina. Os jornalistas conhecedores de fenómenos congéneres nos EUA e no resto do mundo, dizem-se estupefactos não só pelos efeitos do furação, como sobretudo pela ineficácia (ou ausência?) da assistência à população de New Orleans, nos dias seguintes às inundações. Dizem não compreender como tal inércia foi possível num país com os recursos que, como todos sabemos, os EUA possuem. Serão todos aqueles jornalistas americanos da CBS fanáticos anti-americanos?

Temores pós-modernos

Eu temo outra coisa. Temo que a formação em sociologia ou filosofia dessas jovens seja apenas um adereço, como os óculos, o chicote ou as algemas. Ou, então, qualquer coisa como: "eu faço ténis", "eu vou ao ginásio trabalhar os abdominais". Qualquer coisa como "a era do vazio" cantada por Lipovetski.

Questionamentos eleitorais germânicos

Será que os resultados eleitorais da Alemanha querem dizer que o modelo de Estado social defendido genericamente pelas social democracias europeias é demasiado bom para ser perfeito e demasiado perfeito para ser bom?

O candidato vómito

O político que apenas tem um projecto de poder pessoal cai invariavelmente no discurso e nas promessas demagógicas. O populismo é a argamassa de que é feito. A feira o seu palco preferido. Vazio é o conteúdo das suas propostas. Políticos sem projecto que não seja unicamente o seu projecto de poder pessoal são, além do mais, o cancro das democracias. Apenas servem para minar a razão de ser do sistema democrático.

A prova antes do delito

Cenário: um grupo de professores aguarda a ministra da educação e o primeiro-ministro, insultando ambos e chamando fascista a Sócrates. Encenação: o líder sindical, organizador da manifestação e dos respectivos métodos, mais próximo dos jornalistas, entrega um envelope ao primeiro-ministro e como este não o aceita pergunta: "a sua democracia não o permite aceitar uma carta dos professores?" Estas tácticas de manipulação política e de opinião são por demais conhecidas e a autoria do método utilizado também. Em linguagem judicial diríamos que se trata de primeiro acusar, depois fabricar o crime para provar a acusação produzida à anteriori.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Ensino: as razões do insucesso

Vale a pena ler este texto de Paulo Pedroso a propósito do relatório da OCDE sobre insucesso escolar. As coexistências são mais complexas e difíceis de gerir do que as segregações. Ao nível residencial como ao nível escolar. Mas não tenho dúvidas que só as coexistências pensadas, seriamente trabalhadas, isto é, planeadas e estudadas, são frutíferas em matéria de coesão social. Ao invés das segregações ou getizações, continuadamente perpetradas na prática de quem urbaniza como de quem gere o sistema escolar. No que concerne em particular ao ensino, os frutos da coexistência não residem apenas ao nível das taxas de sucesso escolar dos alunos "mais dificeis", como da promoção social dos alunos provenientes de meios menos providos dos capitais, ou recursos, que fazem normalmente a diferença entre o sucesso e o insucesso escolar.

A ver passar os comboios

[Declaração de desinteresse nº perdi-lhe a conta]

Não tenho nada a ver com o sindicato nacional democrático da ferrovia (nem a haver do mesmo)

[Declaração de interesse nº 1]

Sempre gostei de comboios e de viajar nos mesmos.


O Fórum Comunitário registou hoje um pico inédito de audiências. Não por ter sido citado pelo Abrupto ou pelo Terras do Nunca. Nada disso. Mas por ter sido citado pelo site do Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Maria, vai lá tu por mim

Apetecia-me dar umas murraças nuns tipos que por aí andam. Mas não o faço porque sei que estaria a atentar contra a integridade física de alguém e por esse motivo poderia ser detido, julgado e condenado em tribunal. Assim sendo, vou pedir à minha mulher que vá dar essas murraças por mim. A ela não a poderão incriminar pois terá agido em meu nome e a meu pedido e a mim não me podem julgar pois eu não terei agredido ninguém.

Algo que não acontecerá em parte alguma deste mundo

Depois de assumir a sua responsabilidade na falta de assistência à cidade de Nova Orleães, durante os quatro longos dias que se seguiram ao furacão, Bush vai devolver a vida aos mais de 500 habitantes da cidade que morreram devido à sua incúria.

terça-feira, setembro 13, 2005

Um estado à parte

Por que será que tantos autarcas quando se referem ao Estado Central dizem: "o Estado", por contraponto às autarquias, como se essas não fossem o Estado Local. Ou melhor, como se essas fossem exógenas ao Estado. Algo independente, não sujeito às regras democráticas e às leis que regem o Estado, em geral...

Confusão de planos (1)

Chama a atenção RPP: "o problema com a candidatura autárquica do BE em Lisboa é a confusão, perigosa, entre combate político e confronto judicial".

Confusão de planos (2)

"O plano cívico e o plano jurídico-constitucional são distintos", afirmou Maria José Morgado, para justificar que pode haver uma discussão pública sobre o tema da corrupção nas autarquias, sem que isso tenha de implicar apresentação de prova, ou enumeração de casos concretos de corrupção, como se estivéssemos num tribunal. A confusão dos dois planos apenas beneficia os que pretendem reduzir o plano cívico ao mínimo, pois só esse patamar de cidadania permite que aquilo que não se pode provar judicialmente continue a existir e a minar o Estado de Direito.

Pós e contas

1. Quando se diz: "não generalize, fale de casos concretos" é porque se sabe que não é possível enumerar os casos concretos, porque a corrupção e o tráfico de influências em discussão, pela sua própria natureza, faz-se de modo a não deixar rasto.

2. Quando se diz: "apresente provas", é porque se sabe que não é possível apresentar provas, porque a corrupção e o tráfico de influências em discussão, pela sua própria natureza, faz-se de modo a não deixar rasto.

3. Quando se diz: "as inspecções que se façam" é porque se sabe que as inspecções são feitas e nada encontram, porque a corrupção e o tráfico de influências em discussão, pela sua própria natureza, faz-se de modo a não deixar rasto.

segunda-feira, setembro 12, 2005

A fatídica frase

Ao contrário da mais fatídica frase da blogosfera, este blog não "acaba aqui". Apenas vai entrar em regime de intermitência.

sábado, setembro 10, 2005

Por que será Cavaco o próximo PR?

Ao contrário do putativo candidato a PR, Professor Cavaco, eu tenho muitas dúvidas e engano-me com alguma frequência, tal como já aqui referi por mais de uma vez. Mas, se não estou de novo enganado, o próximo PR será o Professor Cavaco. Muito desejaria eu que assim não fosse pois, como também já aqui escrevi, votarei Soares. Considero que a ideia de Cavaco como PR é um equívoco e, apesar de não partilhar da sua visão do mundo, preferia mil vezes vê-lo como ministro das finanças (para o que julgo reunir competências indiscutíveis) do que como PR. Mas julgo, também, que o povo português, crispado, desiludido, deprimido como anda e parco em cultura política, como sempre andou, votará maioritariamente em Cavaco. (i) Porque acredita no mito de D. Sebastião. (ii) Porque pensa que as bibliotecas não fazem falta, mas perceber de finanças é fundamental mesmo para se ser PR. (iii) Porque não gosta do gesto daqueles que retornam em busca do poder que outrora já detiveram. (iv) Porque encontrando-se em situação de acentuada crise e algum desespero, não é da bonomia [Soares é fixe] que outrora via em Soares que esse povo agora espera, mas antes - como se ouve tantas vezes na rua - de alguém com "mão de ferro", como julga ser o caso de Cavaco. Acresce que, desta vez, não há a mínima hipótese de se repetir o incidente da Marinha Grande que deu a vitória a Soares há vinte anos, quando um militante comunista ali agrediu o então arqui-inimigo do PCP. Por via de regra os portugueses (militantes comunistas incluídos) não maltratam os idosos. Ora, agora Soares já goza desse estatuto, pelo que aqueles que acreditam no volte face das sondagens não poderão contar com os efeitos perversos (em sentido favorável) desse gesto agressivo pois, passados vinte anos, não acredito que alguém volte a ter o despautério de sequer beliscar a face de Mário Soares. Esse estatuto senatorial que os portugueses reservam para os idosos inactivos, aos quais falam mais alto, com condescendência e passando a mão pelos respectivos cabelos brancos, correrá contra Soares e, inversamente, beneficiará Cavaco que julgarão ainda merecedor de uma derradeira oportunidade.

sexta-feira, setembro 09, 2005

O Milagre socrático

E de repente a economia nacional está já a sair da recessão. Ainda antes de nela entrar a sério.

quinta-feira, setembro 08, 2005

A queda das torraltas

Não consigo perceber onde possa estar o espectáculo da queda de duas torres. Ainda assim esse momento simbólico significa o fim de uma época. Mas não da época do império do betão ou do turismo nefasto para as condições ambientais e paisagisticas que tipificavam as torres do modelo de turismo de massas. Significa apenas, e ainda bem, o fim de um modelo económico que caracterizou a Torralta na segunda metade da década de setenta. Sendo certo tudo isso, não é menos verdade que o projecto alternativo, agora iniciado, não está isento de muitas interrogações no que ao desenvolvimento sustentável diz respeito. Desde logo porque em lugar daquelas torres outros edificios de betão, de menor densidade, é certo, mas ainda assim de alguma dimensão, ali serão construídos. O maketing SONAE é eficaz mas não torna opaco aquilo que é por demais transparente. O simples facto de haver um upgrading social do mercado alvo do novo projecto e uma gestão moderna e verdadeiramente empresarial do mesmo, não tranforma, por passo de mágica, aquele projecto em amigo do ambiente e do equilíbrio paisagístico e urbanístico. Depois porque ele se enquadra no grande embuste das economias menos desenvolvidas da era global contemporânea. De facto, embora esteja em voga a ideia de que o turismo é a panaceia do desenvolvimento do país, tal ideia é merecedora de muitas dúvidas porque o turismo não é um sector motriz do desenvolvimento. Ele é sim, à semelhança dos restantes sectores em que aquele grupo económico está envolvido, uma fonte de elevadas mais valias financeiras. O desenvolvimento sócio-económico, porém, é outra coisa. Em primeiro lugar porque é óbvio que ele não vai contribuir para gerar emprego local qualificado, mas vai, isso sim, procurar esse emprego onde ele existe (não na Península de Setúbal). Em segundo lugar, porque o turismo apenas é um factor subsidiário de desenvolvimento nas regiões e países onde outros sectores, nomeadamente de produção de bens transaccionáveis, e em particular aqueles que são fortes em conhecimento e design intensivos, têm importância estruturante nas respectivas economias. Dizer que um projecto como o Troia Resort é um projecto estruturante do desenvolvimento é uma falácia. O sector do turismo e do lazer, por si, não são estruturantes de desenvolvimento em parte alguma do mundo. Finalmente, o turismo representa, do ponto de vista cultural e civilizacional, aquilo que de mais cínico existe nas economias e nas sociedades contemporâneas. Veja-se o que é o objecto de consumo na actividade turística. Quem consome e quem e o quê é consumido nessa actividade. A relação do turista com o seu objecto de consumo constitui a mais vil relação com o "outro" que é possível encontrar nas actividades e interacções humanas. A narrativa do turista e a experiência turística implicam o maior desprezo e afirmação simbólica de domínio, de uma civilização e de algumas das culturas que dela emergiram, ou de uma classe social e de algumas das fracções que dela resultaram, sobre as demais culturas nacionais, regionais ou locais do mundo em que vivemos. Há diversos sinais claros que apontam no sentido da transformação do país no lugar do grande "resort da europa", o que significaria conformarmo-nos com um lugar rasteiro em matéria de desenvolvimento socioeconómico no contexto europeu e mundial.

Katrina: The American Beauty

1. O que espanta é o espanto subitamente demonstrado, por pessoas geralmente bem informadas, sobre a "outra face" dos EUA que agora veio à tona mediática com os efeitos do furacão Katrina, nomeadamente na cidade de Nova Orleães. Embora não seja uma realidade tão recorrente nos media como a América da NASA, da Microsoft e do MacDonalds, a América das profundas desigualdades sociais, da segregação racial das suas cidades e da pobreza urbana é suficientemente difundida na literatura, no cinema e, apesar de tudo, nos media impressos, para ser do conhecimento comum.

2. Aos que persistem em vislumbrar "anti-americanismo" na constatação daquele facto, chama-se aqui a atenção para o facto de ter sido nos EUA que nasceu (no início do séc.XX) um ramo especializado da sociologia - a sociologia urbana - que ficou a dever o seu êxito [porventura muito superior ao que possui na europa], em boa parte devido ao apoio ao seu desenvolvimento que recebeu do poder político norte-americano, justamente numa tentativa de procurar solucionar, ou minimizar, as situações de pobreza e de discriminação racial geradas nas cidades norte-americanas e sobre as quais o poder político norte-americano de então tinha perfeita consciência e manifesta preocupação.

3. Que a questão da pobreza nos EUA é indissociável da questão racial, é algo que constitui uma evidência empírica comprovada por todos os estudos sociológicos americanos sobre tal temática, desde o início do século vinte até à actualidade. Seria impossível enumerar aqui todos esses estudos. No Canhoto RPP chamou a atenção para um deles (American Apartheid. Segregation and the Making of the Underclass). É do conhecimento comum a estratificação racial da pobreza norte-americana, onde a população negra está sobrerepresentada. Do mesmo modo que é do conhecimento comum a profunda segregação residencial, de natureza classista e racial, das cidades norte-americanas. Peter Marcuse da Columbia University demonstra essa realidade no caso da cidade de Nova York, com base no mapeamento dos habitantes da cidade segundo a sua pertença racial e a sua residência, analisando as razões para a continuidade e reforço dessa "guetização" no que chama "cidade pós-fordista", no caso americano. [ Cf. MARCUSE, Peter, (1996), "Space and Race in the Post-fordist City: The Outcast Ghetto and Advanced Homelesseness in the United States Today", in MINGIONI, Enzo (ed.), Urban Poverty and the Underclass,Cambridge, Massachusetts, Blackwell Publishers.]

quarta-feira, setembro 07, 2005

A Ler

Optimismos d´aquém e racismos d'além mar.

terça-feira, setembro 06, 2005

O maior ignorante é aquele que tudo sabe

A ignorância é aquela qualidade que considera conhecimento e verdade absoluta o acesso ao mínimo de informação sobre o que quer que seja.

Pergunto...

e qual é o grupo empresarial de comunicação do PSD? Será o Impresa?

domingo, setembro 04, 2005

I'm goin' back to New Orleans


Os habitantes desta cidade não mereciam tanta desgraça: uma da natureza, Katrina, outra anti-natura, Bush.

E o prémio olho de lince

vai para o Estranho Estrangeiro que conseguiu identificar o livro que aqui o autor deste fórum tem sob as mãos na foto que passou a figurar no canto superior direito.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Darwinismo blogosférico (2)

É elevada a taxa de mortalidade na blogosfera. São as leis de Darwin a funcionar. Esta noite dediquei-me à limpeza dos defuntos ali ao lado.

E a traulitada continua

Hoje é Gondomar (também na SIC-N). E lá está o Major. Pois claro. Começou bem (com Amarante e Ferreira Torres) e continua melhor (com Gondomar e o Major) o debate trauliteiro.

Darwinismo blogosférico

Alguns blogues estão permanentemente a começar. A origem das espécies é assim mesmo. Que seja bem (re) vindo o Francisco José Viegas.

Glória aos rapazes da praia



Como alguém disse: I Get Around, para sentir Good Vibrations. Depois será melhor Catch a Wave. Fiquem com os Rapazes da Praia. Eles ainda andam por aí...

Trauliteiros de Amarante

A SIC-N iniciou a noite passada um ciclo de debates (?) com os candidatos autárquicos. Não poderia ter escolhido melhor princípio para o debate trauliteiro. Lá estava o concelho de Amarante e Avelino Ferreira Torres às traulitadas em outros dois candidatos.

Pior a emenda que o soneto

O que é inquietante na política nacional é que sempre que o governo é mau a oposição consegue ser pior, independentemente dos partidos que desempenham ambos os papeis.

Allegro ma non tropo

Por todas as razões que aqui tenho deixado claras votarei em Mário Soares, mas não acredito que seja uma candidatura (a sua ou qualquer outra) ou sequer uma presidência da república que vá reverter o "estado depressivo do país" ou a "falta de sentido cívico" que por aí vai.

Nexus

A noite passada Mário Soares anunciou que é de novo candidato à Presidência. Talvez por isso os Beach Boys deram um concerto em Portugal. No Japão foi lançada a PSP (Playstation Portátil). Talvez por isso a PSP (Polícia de Segurança Pública) disse em concerto frente a S.Bento que um polícia com sessenta anos não pode correr atrás de um criminoso.

O princípio de Peter

O problema da candidatura de Soares não é o próprio Soares. Personalidade ímpar na história nacional do século vinte. Muito menos a sua idade. O problema é o que isso tem de reflexo espelhar do estado do país e o déjá vu que a sua candidatura representa. E isto apenas quer dizer uma coisa: o país atingiu o princípio de Peter.

Um símbolo da nação

Simão é hoje um símbolo da nação. Esteve a um passo do grande salto e viu-se forçado à permanência na mediocritas.

Desistir

Regresso de férias e tenho de imediato más notícias. Na blogos como no país são os melhores que desistem primeiro. O Aviz e o Fora do Mundo acabaram.

terça-feira, agosto 16, 2005

Um post para o meu filho


Skimboard e Sum 41, In too deep: Fui apanhar uma onda. Até já...

Amostras representativas de jornalismo

Tenho uma explicação para a "recessão da blogosfera nacional" concluida pelo artigo do DN mencionado no Bloguítica. Como o universo de análise foi apenas o Weblog, essa "recessão" (lida a partir da redução do número de visitas da blogosfera) só se pode ficar a dever ao fim da emissão do Barnabé que, como sabemos, estava alojado no Weblog.

As culpas do eucalipto

Por que será que há um concelho na zona centro (precisamente), com 84% (!) do seu território coberto de eucaliptos (!!), onde não há um incêndio (de dimensão assinalável) há mais de dez anos?

Moda verão-outono

Defender na blogosfera a irresponsabilização do primeiro-ministro e a auto-gestão do país no mês de Agosto.

domingo, agosto 14, 2005

Memória

Depois do jogo de ontem no estádio de verão do país [Refiro-me àquele que só é utilizado no período em que, de férias, os portugueses desaguam todos no Algarve] - valeu-me ver, na RTP-Memória, um jogo em 1994 frente a um clube croata em que se jogou futebol.

Post-scriptum: na primeira metade do jogo no canto superior direito do ecrã surgia a referência: 1993, enquanto na segunda parte se lia 1994. Como não creio que o jogo tenha ocorrido em plena Passagem de Ano, vou deduzir que se tratou de lapso corrigido telefonicamente por alguns espectadores de memória mais fidedigna do que os arquivos da televisão pública.

Post com destinatário

O seguidismo partidário é irmão gémeo do independentismo fanático, de tipo religioso. Um e outro não conseguem entender que o aplauso e a crítica podem dirigir-se ao mesmo governo e dependem ambos das decisões e das medidas concretas daquele. Não da cor partidária que as toma. Muito menos de qualquer apriorismo de preconceito. Esta é a verdadeira livre e independente opinião. E como já aqui escrevi isto algumas vezes, esta foi a última, porque quem não quer entender é porque não pode entender.

sábado, agosto 13, 2005

O descrédito final

"O assalto partidário á CGD veio dar razão à opinião comum de que «são todos iguais», na acepção popularmente mais depreciativa da frase. José Sócrates perdeu, com esse gesto, a marca de distinção que quis outorgar-se enquanto primeiro-ministro. E lançou pela janela grande parte do capital de confiança que muitos eleitores - não socialistas, mas que, à falta de alternativas credíveis, lhe deram o crédito do seu voto em 20 de Fevereiro - ainda nele depositavam.

Além do mais, esta decisão - com a inopinada ascensão de Armando Vara a administrador da CGD - tem a marca indelével do primeiro-ministro. Não foi, pois, uma decisão tomada à sua revelia. Antes pelo contrário."


José António Lima, Expresso.

Aeroporto Internacional de Lisboa

O que deve estar em discussão sobre o Aeroporto Internacional de Lisboa não é saber se os lisboetas deixam de ter um aeroporto localizado no centro da metrópole ou se continuam a usufruir desse "privilégio". Esta parece-me uma discussão que apenas julgo digna de registos do tipo "eu só quero ver lisboa a arder..." e quejandos. Porventura próprias das tribos da bola mas não das discussões sérias sobre o desenvolvimento do país e as respectivas opções de estratégia. O que deve estar em questão é saber-se:

a) Se no contexto socioeconómico actual, a construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa é uma prioridade.
b) Se a sua construção foi precedida de estudos económico-financeiros de viabilidade e de impactos no desenvolvimento do país, que aconselham a sua construção.
c) Se a sua localização foi precedida de estudos de impacto ambiental que não desaconselham a sua construção.
d) Se não existem obscuros interesses económico-financeiros privados na base da opção pela construção, de imediato, do referido aeroporto na localização escolhida.
e) Se não existem obscuros interesses imobiliários no fim imediato do aeroporto da Portela, tendo em conta o valor fundiário dos respectivos terrenos. Negócio que pode ser chorudo para a promoção imobiliária da Alta de Lisboa (como tem sido bem observado em vários blogs, como o Bloguítica e o Blasfémias), porque a aquisição de terrenos ao Estado é sempre um bom negócio para os privados e porventura chorudo também para as receitas extraordinárias do Estado (tapando-se, uma vez mais, o sol com a peneira, na resolução do problema do défice estrutural das finanças públicas nacionais).

Estratégia

Num jogo de xadrez nunca se começa por sacrificar um bispo ou a rainha mas sim um ou outro peão. Não foi um bom sinal de Sócrates a atitude de colocar António Costa no fogo mediático e político dos incêndios.

Diálogos imaginários

- Ó Costa, vê lá se é preciso eu ir aí enfrentar essa chatice dos incêndios. Eu estou aqui maravilhosamente a gozar um excelente mês de férias depois de quatro árduos meses de trabalho [coisa que como sabes não podemos permitir aos agentes da Administração Pública] e não me apetecia nada ir aí enfrentar os media e o povo. Mas vê lá, se for mesmo, mas mesmo, preciso eu vou. Ou tu dás-me conta desse recado?

- Não. Não te incomodes. Deixa-te estar que eu estou cá para isso mesmo. Goza lá as tuas merecidinhas férias que eu digo que tu insististe comigo que vinhas e eu é que disse que não era assim tão grave [o país a arder, aldeias cercadas pelo fogo].