Crise petrolífera
Já aqui disse e repito. Acho essa coisa de ir para o local de trabalho de bicicleta uma grande javardice dos tempos anteriores à sociedade pós-industrial.
"The true mystery of the world is the visible, not the invisible" Oscar Wilde
Já aqui disse e repito. Acho essa coisa de ir para o local de trabalho de bicicleta uma grande javardice dos tempos anteriores à sociedade pós-industrial.
Há tempos o PM disse que tinha deixado de fumar e em alternativa fazia jogging como um atleta. É saudável e dá boa imagem. Hoje em dia fumar é politicamente incorrecto. Regozijava-se, também, com a lei anti-tabágica que colocou em vigor no dia 1 de Janeiro do corrente ano. Ano novo vida nova.
Os efeitos positivos e não esperados da acção, logo, efeitos não perversos, no que toca aos episódios mais recentes do universo da bola, prenunciam a morte há muito anunciada de uma época. O moribundo está próximo do último estrebuchar.
Carros a circular com três ou quatro cotovelos de fora.
1. Quem trabalha no ensino superior e na investigação há mais de 10 anos, sabe como as Tecnologias de Informação e Comunicação, mudaram radicalmente os modos de trabalhar, criando eficácia, eficiência e uma produtividade sem paralelo com as que se obtinham antes. Basta recuar 10 anos.
é o nome de um novo blog que vale a pena acompanhar. Por mim, vai já para a coluna de ligações directas.
1. Bob Geldof veio a Portugal a convite do BES falar de desenvolvimento sustentável. O conhecido activista disse o que não é o desenvolvimento sustentável, apontando o exemplo de Angola, país que detém níveis miseráveis em todos os indicadores de desenvolvimento, em contradição com os seus indicadores de crescimento económico e criação de riqueza. Num país com uma esperança média de vida próxima da Idade Média Europeia, é na sua capital que encontramos as residências mais luxuosas do mundo. Segundo Geldof, em Luanda existem residências de luxo e valor superiores às que se encontram num dos bairros mais caros do mundo, em matéria de valor imobiliário, Chelsea, em Londres.
Eis um dos melhores posts dos úlimos tempos na blogosfera. E o resto é conversa para boi dormir.
...a expressão marialva lusa: "boa como o milho". Para quem não aprecia particularmente o milho, só agora fiquei a saber que o milho produzido em Portugal é do melhor do mundo.
O marido da candidata vencedora do AUDAX, um imigrante russo professor associado da Universidade de Aveiro, "gosta muito de Portugal porque lhe faz lembrar a União Soviética dos anos sessenta". Além de estarmos na presença de um nostálgico dos tempos áureos da URSS, a comparação talvez se fique a dever à quantidade de LADAS que circulam por aí nas estradas nacionais.
Será mera coincidência o facto dos três finalistas do programa AUDAX não serem naturais de Portugal? Um nasceu em Angola, outro na África do Sul, e a terceira na Rússia.
1. Passados mais de trinta anos sobre a descolonização começa a ser possível fazer história sobre o colonialismo português, mas também sobre a governação dos países desde então independentes. A excelente reportagem de Anabela Saint-Maurice sobre as roças do Cacau e os contratados em São Tomé e Príncipe, que ontem o canal 2 da RTP repetiu, é disso mesmo um bom exemplo.
Vi numa barbearia do meu bairro que um dos candidatos do PPD/PSD gosta de ostentar o seu título de Prof. Doutor. Inversamente, eu tenho alguma nostalgia dos momentos em que na escola onde sou professor, quando tinha menos vinte e um anos do que tenho hoje, um aluno se virou para mim ao balcão do "come-em-pé" e me pediu: "passa-me aí os guardanapos colega".
Primeiro os ministros (este e os anteriores) pediram às polícias que não ficassem nas esquadras a fazer trabalho administrativo, mas andassem na rua para dissuadir o crime e garantir a segurança dos cidadãos. Agora o ministro pede aos polícias que não andem todos na rua e não deixem as esquadras com um só agente.
O ministro disse que a polícia não pode deixar a esquadra com um só agente. Então? Talvez dois? três? Quantos seriam necessários para impedir que onze (11) indivíduos se tenham sentido suficientemente seguros para invadirem uma esquadra da polícia de segurança pública?
"Talvez seja necessário a polícia de segurança pública contratar os serviços de uma empresa de segurança privada para garantir a segurança das esquadras"
«O Santanismo é uma espécie de Sebastianismo pós-moderno. Com a diferença de que no primeiro o "desejado" é apenas desejado por ele mesmo.»
Está por demonstrar que uma sondagem, e a respectiva análise e interpretação de dados, por si só, possa ser apelidada de "um estudo". Um estudo exige, além da recolha e análise de dados, muito mais. Por exemplo, questão que não é um pormenor, saber quais as relações de causalidade entre esses dados e entre eles e outros que eventualmente deveriam ser convocados para análise.
Quando fazemos um estudo que não foi encomendado mas que antes responde aos nossos interesses científicos estamos sujeitos a interpretações, mas podemos sempre vir a terreiro e sobrepor a nossa própria interpretação dos dados. Quando se trata de um estudo que responde a uma encomenda paga por um qualquer actor social, ou pela instituição que esse actor representa, a coisa torna-se complicada. Não ficaria bem virmos a público dizer que o nosso cliente está a deturpar, no sentido que lhe convém, os dados do estudo que ele próprio encomendou e pagou. Dilemas da profissão.
A única coisa que espanta na história do fax de Rosa Coutinho para Agostinho Neto é a ingenuidade de António Barreto ao acreditar que um tal fax alguma vez pudesse ter existido, com aquele conteúdo. A questão racial existiu sempre em Angola, mas nunca poderia ter sido assim colocada num fax dirigido ao então presidente do MPLA. Basta ter um mínimo conhecimento da realidade angolana da época. Em primeiro lugar, não era a ala no poder do MPLA quem colocava a questão racial. Em segundo lugar, a relação de Rosa Coutinho com Agostinho Neto não era tratada por fax mas presencialmente.