segunda-feira, outubro 27, 2008

terça-feira, outubro 21, 2008

Digo eu...

Tal como foi excessivo o anúncio da morte do Estado e, em seu lugar, o endeusamento do mercado, também me parece precipitada a diabolização do mercado e, em seu lugar, o endeusamento do Estado, a que se vai assistindo por estes tempos.

O discurso anti-sociedade de consumo

1. Perante a actual crise lá vem novamente a ladainha contra a 'sociedade de consumo'. Não sei muito bem o que por aí se entende por 'sociedade de consumo' e fico ainda mais perplexo quando a sua crítica vem acompanhada do discurso sobre o crescimento da pobreza. Gostaria de saber onde uma sociedade de consumo tem de coincidir, obrigatoriamente, com o crescimento da pobreza. O discurso contra o 'consumo excessivo' gosta de apresentar esse 'excesso de consumo', numa perspectiva moralista, como responsável pelo crescimento da pobreza.

2. A esse discurso gostaria de perguntar o que ele ambiciona para a redução da pobreza? Não será a capacidade de maior acesso ao consumo por parte dos pobres? O primeiro indicador da pobreza é o rendimento. Certo. A redução da pobreza faz-se, em primeiro lugar, por acréscimos de rendimentos dos pobres. Para quê? Não será para que os pobres possam aceder a padrões de consumo mais elevados e, desse modo, a níveis mais razoáveis de qualidade de vida e dignidade humana?

3. É só para que eu consiga perceber a lógica da "coisa", 'tá bem?

domingo, outubro 19, 2008

A carga e os seus contendores

Há uns meses, um responsável de uma aberrante entidade, que não se sabe por que carga de água, ou de contentores, tem a jurisdição do Porto de Lisboa, sorria perante a afirmação, por parte do governo, que estaria resolvido o imbróglio da autoridade sobre uma parcela do território da cidade.

Tinha, pelos vistos, razões para o cínico sorriso, a avaliar pelo que se prepara para acontecer à frente de rio entre Alcântara e Belém.

Têm razão, este texto no Canhoto e todas as vozes que se têm ouvido contra mais esta aberração administrativa. São estas cargas e os seus contendores que amarram o país ao fundo.

Assim não vamos lá.

sábado, outubro 18, 2008

O lado positivo das crises

1. Santana Lopes é o candidato do PSD à CML.

2. O PCP reitera o seu apoio ao regime da Coreia do Norte.

3. A hipótese de Portugal não se apurar para o Mundial.

a) Os portugueses arranjam outra paixão, além da selecção,

b) O presidente da federação arranja uma profissão.

segunda-feira, setembro 22, 2008

quinta-feira, agosto 21, 2008

Sem estofo

Recebi uma mensagem de voz do senhor Silva (que me pareceu estar já um pouco sem estofo para aturar o estofador), dizendo que tenho de lhe colocar os estofos no carro porque ele precisa de usar o carro para ir tratar da vida e sem estofos não pode usar o carro.

Caro senhor Silva, lamento imenso mas não vou colocar-lhe os estofos no carro. Mas tem razão numa coisa: sem estofos não pode usar o carro. Imagino que não seja confortável conduzir sem estofos.

Sem outro estofo de momento,

WR

quinta-feira, julho 10, 2008

Desgraças

O meu barbeiro diverte-se com a desgraça alheia, mais precisamente, com as consultoras que estão a abandonar o edifício das Torres das Amoreiras. Provavelmente porque isto não está a dar para o gasóleo quanto mais para a renda em tão nobre edifício.

Por falar em desgraça alheia, a do desgraçado consumidor que tem de ir ao supermercado. Não é preciso o senhor Honório da barbearia do parlamento vir mostrar facturas da Galp que alteraram o valor do IVA mas não desceram os preços. Então não se estava a ver que ninguém ia baixar os preços?

O PCP prefere atacar a Galp que é grande capital e, ainda por cima, com interesses do Estado, para eles, do governo. Deste e dos que hão-de vir.

Pois bem, o ministro de pinho tem muito que fiscalizar. Ele esqueceu-se de ir à mercearia do meu bairro. E à papelaria e etc. Mas esqueceu-se, também, de ir aos super e hipermercados todos. Acabei de conferir duas facturas. Uma com o IVA a 21% e outra com o terrível a 20%. Não é que a bejeca, as pastilhas elásticas, a pasta de dentes e tudo quanto é taxado ao máximo, têm exactamente os mesmos preços?

Que grande descoberta oh honório! Era evidente que a baixa da taxa de IVA ia redundar em nada para a desgraça alheia do desgraçado consumidor.

terça-feira, julho 01, 2008

Eu gosto é do verão

Submarinos

Adenda ao espírito santo, lá em baixo, hoje lembrada pelo ministro de pinho no prós e contras, a propósito de investimentos estruturantes do estado.

Ópera bufa

Este país tem qualquer coisa de ópera bufa. A alegada corrupção de árbitros com fruta e chocolate foi arquivada por incapacidade semiótica. Ninguém consegue provar o significado de fruta ou chocolate no contexto da arbitragem e dos jogos da bola. Inconclusivo. O caso madie foi encerrado sem madie viva ou morta, nem rasto da menor ideia de quem foi responsável pela barbaridade. Inconclusivo. O caso casa pia é uma arrastadeira nos tribunais sem que a tal "rede pedófila" seja deslindada. Restam uns tipos que são obrigados a arrastarem-se por intermináveis audiências, com mais cem cabelos brancos por cada dia que passa. Arriscam-se a ter de ir a tribunal de bengala. Pelo caminho, liquidaram-se as vidas e a integridade moral de alguns inocentes. Inconclusivo. Marcelo Rebelo de Sousa, conhecendo intimamente todos os ministros do mundo, diz que o nosso actual da agricultura é "o ministro mais incompetente do mundo". Arrebatadoramente conclusivo. Como se não bastasse, uma biografia de José Sócrates é apresentada por, nada mais nada menos, que Dias Loureiro. Burlesco.

quinta-feira, junho 26, 2008

Cohen & Rollins

Portugal, Turquia versus Alemanha

De um lado, o talento, a alma, a vontade de vencer. Do outro lado, a eficácia da acção planeada ao minuto. É pena, não é espectáculo, mas é a vida.

segunda-feira, junho 23, 2008

O espírito santo está em todo o lado

Leio no Jumento (versão inteligente do conhecido animal) que terá lido no DN (e eu confirmo) que um hospital do grupo Espírito Santo, que tem um acordo com a ADSE que proibe a discriminação dos funcionários públicos (o tal acordo que a alegre actual ministra da tutela acha mal que exista), estará a discriminar os ditos funcionários públicos nas suas listas de espera.

E eu que pensava que essa aberração das listas de espera eram privilégios da máquina ineficaz e ineficiente do Estado, no caso, do SNS...

O Espírito Santo não pára de me surpreender. Além do mais, pela sua inegável omnipresença. Depois de Chaparros, (ou Sobreiros?), Angola, pastas pretas do CDS-PP, e outros negócios, também já está nas listas de espera do sistema nacional de saúde. É impressionante...

Acho que já escrevi isto aqui...

Fidel Castro já morreu, só que ainda não lhe deram a notícia. É o problema do isolamento.

Quando eu tinha 60 anos e era um miúdo

Li no Terras do Nunca (versão intimista), que terá lido no Independent (e eu confirmo), que Leonard Cohen disse qualquer coisa como isto:

"Há 14 ou 15 anos, quando eu tinha 60 anos, era um miúdo com um sonho louco. Depois tomei imenso Prozac"

O único problema com os ismos é o passadismo

Hoje no Câmara Clara, uma conversa actual, e inteligente, sobre a questão do feminismo, entre Rui Zink e Irene Pimentel. Enquanto isso, Maria Teresa Horta, uma feminista nada actual, desconhece que o Inimigo Público não é um jornal.

O congresso laranja

Galvanizador e repleto de novas ideias.

terça-feira, junho 17, 2008

segunda-feira, junho 16, 2008

Say Yes to Lisbon


O que mais entristece, nos resultados do referendo ao Tratado da União, é ter vencido o "Say No to Lisbon".

Pensamentos ultra-secretos (2)

O modo vitorioso como o BE e o PCP, pela voz de dois dos seus eurodeputados, reagiram à vitória do Não ao referendo na Irlanda, fez-me pensar: "O que fazem estes partidos num parlamento de uma instituição de cujos objectivos essenciais, e não só de um tratado, ou deste em particular, eles discordam em absoluto?"

Pensamentos ultra-secretos

Ultimamente, dou comigo a pensar: " E se a era do petróleo, isto é, a sua produção industrial, não se tivesse iniciado, como se iniciou, algures em meados do século XIX? Será que o mundo tinha acabado por volta de 1984?"

Cada vez mais Harare

Nos países com democracias modernas existem entidades reguladoras para proteger os direitos dos consumidores e para que o mercado funcione, de forma justa. Em Portugal, as entidades reguladoras parecem existir para proteger as grandes empresas, o Estado que nelas detém uma parte de ouro e os que não pagam as suas contas, sejam empresas da treta com automóvel topo de gama incluido no vencimento, ou consumidores particulares que foram ao crédito por telefone.

Leia-se esta proposta da ERSE!

sábado, junho 14, 2008

Interrupção da emissão normal deste blog

As histórias de fruta e chocolate que envolvem o Fê-Cê-Pê soam a javardice siciliana, mas a postura oportunista do Ésse-Éle-Bê (meu clube), tresanda a lixo napolitano.

Paradoxos das democracias

Três milhões decidiram sobre as vidas de quatrocentos milhões.

sexta-feira, junho 13, 2008

Gaba-te cesto que a vindima ainda nem começou

O Primeiro-ministro regozijou-se hoje com o facto do governo ter resolvido o problema dos protestos face à crise dos preços do combustível em três dias. Eu, no lugar do PM, não estaria tão convencido de ter resolvido o problema. Na verdade, acho que ele ainda nem começou.

Mário Lino e o Custo Zero

A última voz pública que se ouviu dizer que uma iniciativa teria custo zero foi a de Cardoso e Cunha em relação à Expo98. Ora cá está, a Expo98 foi um grande e importante evento em si mesma e pelo que deixou para a cidade e para o país, mas não havia necessidade de dizer que um investimento daqueles seria a custo zero. O problema do custo depende dos proveitos. Se esses superam os custos, para que serve o engodo do "custo zero"? Já o silenciamento dos protestos contra os custos do combustível, não me parece que possa ser considerado investimento, mas um custo que vai custar caro ao país e, como é hábito, ao contribuinte pagante.

quinta-feira, junho 12, 2008

Raça

"É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça"


Milton Nascimento

sexta-feira, junho 06, 2008

If it be your will

Allegro ma non troppo, un poco maestoso

Gosto muito de poesia mas, no governo, mal por mal, prefiro ver políticos.

quarta-feira, junho 04, 2008

Mirem-se no exemplo

Nos EUA quer-se adoptar um acesso universal aos serviços de saúde, tal não é a desgraça social do sistema americano de saúde: saúde apenas para quem a pode pagar. Em Portugal há quem queira acabar com a universalidade do SNS e adoptar o modelo americano. A ideia só pode ser uma aproximação, ainda maior, de Portugal aos índices americanos de desigualdade social.

Os EUA são um país ímpar

Só naquele país seria possível, depois do 11 de Setembro, um candidato presidencial responder pelo nome de Barack Hussein Obama.

Vento



Cervejaria Trindade, Lisboa.
Foto pilhada daqui.


Ou, como diria um barbeiro vizinho: Já fui feliz aqui! Num tempo de vento, muito vento. Santíssima, foi há cerca de trinta anos. Como o tempo não mudou, apesar dos ventos que passaram.

domingo, junho 01, 2008

1 de Junho de 1960

Caixa alta

Pedro Santana Lopes não ganhou as directas no PSD.

sábado, maio 31, 2008

Os blogues, a televisão e o baixo nível (modificado)

Alguns blogues têm estado a fazer a crítica, com razão, do conteúdo jornalístico de um programa sobre a net e, em particular, os blogues, emitido pela SIC. Nesse programa da SIC passava-se, basicamente, a ideia que os blogues são um lixo da sociedade actual. O que hoje ouvi, na SIC-N, Luís Filipe Meneses dizer, referindo-se a Pacheco Pereira, está ao nível do mais rasteiro e vil que há em comentários nos blogues dirigidos a pessoas em concreto. Não foi escrito num blogue, foi dito pelo presidente da "terceira maior câmara do país", e emitido num canal de televisão, a SIC, precisamente.

quinta-feira, maio 29, 2008

É por aí sim...

José Miguel Júdice, incluindo-se numa qualquer percentagem dos que ganham mais em Portugal, ofereceu-se para pagar mais impostos para reduzir as desigualdades sociais. Não sei se Júdice disse aquilo para agradar ao seu amigo e sociólogo António Barreto, para agradar a outros amigos, ou por pura convicção. Mas eu, no lugar do governo, aproveitava a deixa e começava por aí a reduzir as desigualdades sociais no país.

Aos defensores do desagravamento do ISP

1) Preço base de um automóvel 1.3 CDTI 90 cv: 17,919.46 euros.
Preço base de um automóvel em tudo igual excepto que é 1.7 CDTI 100 cv: 16,255.43 euros.

2) Imposto automóvel (IA) do primeiro automóvel: 2,249.96 euros.
Imposto automóvel (IA) do segundo automóvel: 6,124.74 euros.

3) Preço final de venda ao consumidor do primeiro automóvel: 24,405.00 euros.
Preço final de venda ao consumidor do segundo automóvel: 27,080.00 euros.

4) Por que razão o veiculo de menor cilindrada e menor potência (menos poluente) tem um preço base superior ao veículo com maior cilindrada e maior potência (mais poluente)?

5) Quem ganha e quem perde com o desagravamento de IA para os veículos menos poluentes?

6) É esta a lógica defendida pelos adeptos da descida do ISP?

7) É esta a lógica "liberal" favorável aos consumidores?

terça-feira, maio 27, 2008

Três padeiros

Conheço três padeiros, funcionários do grupo Jerónimo Martins, que todos os dias, num café do meu bairro, falam de futebol exactamente como Fernando Seara, Guilherme Aguiar e Dias Ferreira o fazem no programa O Dia Seguinte da SIC-N. O estilo, a linguagem e o conteúdo, são exactamente os mesmos. A única diferença é que, aos padeiros, ninguém paga nada por isso.

domingo, maio 25, 2008

Relações de vizinhança

Perdi hoje vinte minutos a olhar para o Euro + Israel Festival da Canção. Ao fim de cinco minutos a observar o sentido de voto dos países passei a adivinhar onde votariam os restantes países. Bastou-me, para tanto, um banal conhecimento da geografia. Todos, quase sem excepção, votavam nos países vizinhos. Percebi, rapidamente, que Portugal não teria hipóteses, por apenas ter um vizinho e que Israel também não, por apenas ter vizinhos de outros festivais.

Os funcionários públicos não são cidadãos?

1. Não concordo com o conteúdo deste post de Vital Moreira. Parece-me que os cidadãos que são funcionários públicos, pelo facto de trabalharem na Administração, não deixam de ser cidadãos. Ora, é enquanto cidadãos que me parece que eles recorrem ao Provedor de Justiça por entenderem violados, em algum aspecto, os seus direitos e garantias, justamente, de cidadãos.

2. O que me parece que deveria preocupar, o governo em primeiro lugar, é o volume de queixas dos funcionários públicos. Será que há por aí muito tiranete na Administração que está a cavalgar "oportunisticamente" uma certa ideologia ambiente, para tirar, arbitrariamente, vantagens pessoais ou políticas, em prejuízo dos direitos de cidadania e do Estado de Direito e em favor de auto-promoção pessoal ou de micro-cliques instaladas na Administração? E isto, para que fique claro, independentemente das filiações partidárias desses tiranetes?

3. Talvez fosse aconselhável não tomar a nuvem por Juno e fazer-se uma recolha de informação objectiva sobre o que se estará a passar na Administração que leva tantos funcionários a recorrer ao Provedor de Justiça...

Hábitos da (nossa) história...

Concordo, claro, com o princípio que define o mercado enunciado pelo Rui. Por definição só há mercado onde há concorrência. Mas muitos dos players, como agora se diz, no mercado, sonham alcançar o monopólio do mesmo, ou seja, sonham com um "mercado" sem concorrência. É o caso em apreço, mas não só, como sabemos. O que mais há são players com sede de monopólio. No mercado das telecomunicações, da energia, dos media, etc. há por aí muito jogador cujo jogo denuncia mais desejo de monopólio (situação de privilégio) do que de mercado...

sábado, maio 24, 2008

Podia ter sido escrito no Jornal de Angola ou no Avante

“Vincamos decididamente a nossa profunda indignação face à estreia na Rússia do filme-provocação, resíduo da guerra fria, pasquim nojento: o filme de Spielberg: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (...) o filme apresenta, de forma caricatural e feia, as acções dos soldados soviéticos e dos nossos serviços secretos, que são cínica e cruelmente liquidados pelo super-herói americano Indiana Jones. Semelhantes invencionices formam, na nova geração de russos, disposições decadentes, falta de confiança no poderio do seu país, adoração dos Estados Unidos. (...) Lançamos um apelo aos espectadores para assobiar o filme durante a estreia nas salas de cinema de São Petersburgo e enviar cartas de protesto aos fantoches do imperialismo: Harrison Ford e Cate Blanchett”

Mas foi num comunicado dos comunistas de São Petersburgo.

Outro factor de esperança

Sempre fui um optimista em relação à evolução global do mundo contemporâneo. A actual "crise alimentar" veio dar-me razões acrescidas de esperança, por dois motivos. Em primeiro lugar, porque para uma parte muito significativa da humanidade há hoje muito menos fome do que havia há vinte ou trinta anos, motivo principal da escassez de alimentos. Em segundo lugar, porque a viabilidade do mundo vai obrigar os países desenvolvidos e as instituições supranacionais (como a ONU, FMI, BM, ONU, UE) a alterarem as suas politicas em relação ao mundo "em desenvolvimento" onde a escassez de alimentos persiste, factor essencial para a redução drástica da fome no continente africano e em parte do continente asiático.

sexta-feira, maio 23, 2008

A sério? ainda não tinha dado conta...

Estudo revela que actualmente os fumadores são marginalizados dentro das redes sociais a que pertencem.

Um factor de esperança

Sempre fui um optimista em relação ao problema ambiental. A actual crise dos combustíveis veio dar-me razões acrescidas de esperança num futuro ambientalmente sustentável.

terça-feira, maio 20, 2008

Tinoni

Misturar cigarros acesos com combustível não é boa ideia. Algo me diz que a coisa pode explodir...

O público e o privado

Falar de violação da privacidade a propósito das câmaras de vigilância no espaço público, parece-me um claro contra senso. Já a intromissão do olho (electrónico ou humano) no espaço privado de cada um, me parece ser uma clara violação da privacidade. Mas há, também, quem traga a sua privacidade, deliberadamente, para o espaço público. A isto chama-se exibicionismo.

E há ainda o mercado do associativismo recreativo

"as associações típicas recreativas dos bairros típicos de lisboa vendem-nos uma sardinha por uns típicos quatrocentos (400) escudos, isto mesmo depois de receberem mil continhos da edilidade para, por favor, nos venderem umas sardinhas à noite num local todo mijado e com pão amassado durante a crise de 1383-1385. Parece agora que António Costa vai diminuir o subsídio para mil euros, ou seja, 200 contos, apesar dos fortes protestos do PCP."

O mercado da solidariedade

Os contornos aqui mencionados são muito simples de enunciar. São os contornos do mercado da solidariedade. Os exemplos práticos são inúmeros. Desde o approach de marketeer de uma assistente social aos familiares de um idoso num hospital, até à demarcação territorial de paróquia, efectuada pelo respectivo pároco, dentro da qual, segundo o próprio, se estaria em território prioritário de intervenção da "sua" IPSS. Afinal estamos a falar de economia social. É social, é certo, mas não deixa de ser a economia! [sem ofensa]

quinta-feira, maio 15, 2008

Crise petrolífera

Já aqui disse e repito. Acho essa coisa de ir para o local de trabalho de bicicleta uma grande javardice dos tempos anteriores à sociedade pós-industrial.

Como eu compreendo o PM...

Há tempos o PM disse que tinha deixado de fumar e em alternativa fazia jogging como um atleta. É saudável e dá boa imagem. Hoje em dia fumar é politicamente incorrecto. Regozijava-se, também, com a lei anti-tabágica que colocou em vigor no dia 1 de Janeiro do corrente ano. Ano novo vida nova.

Agora, Sócrates foi apanhado com a boca na botija (leia-se, no cigarro). Como eu compreendo o PM. Por três ordens de razão:

Primeiro, porque deixar de fumar não é fácil, mesmo para um PM.

Segundo, porque, para um fumador, passar oito horas fechado num avião sem poder fumar é uma tortura. Que o digam os pobres mortais que não têm estatuto de PM.

Terceiro, porque a lei não é para todos. Não faltava mais nada ser-se PM e ter de cumprir a lei como um qualquer cidadão.

Adenda: Eu, por experiência própria, no lugar do PM, não prometia deixar de fumar. Nunca se sabe quando há uma recaída e, neste caso, as recaídas podem ter equivalente funcional.

terça-feira, maio 13, 2008

A propósito das comemorações do Maio (1917 e 68)

"Agora, que João Paulo II unilateralmente aboliu o Inferno, o diabo já não mete medo a ninguém. E os artistas malditos também não."

Fim de época

Os efeitos positivos e não esperados da acção, logo, efeitos não perversos, no que toca aos episódios mais recentes do universo da bola, prenunciam a morte há muito anunciada de uma época. O moribundo está próximo do último estrebuchar.

quinta-feira, maio 08, 2008

Observação participante no trânsito de Lisboa

Carros a circular com três ou quatro cotovelos de fora.

- 99,9% são do sexo masculino.
- 89,9% são jovens.
- 79,9% são da classe média-baixa.

Conclusão: carros com cotovelos de fora denunciam um acesso recente ao maravilhoso mundo do "também eu quero contribuir para o aquecimento global".

Ao cuidado dos senhores operadores da justiça

1. Quem trabalha no ensino superior e na investigação há mais de 10 anos, sabe como as Tecnologias de Informação e Comunicação, mudaram radicalmente os modos de trabalhar, criando eficácia, eficiência e uma produtividade sem paralelo com as que se obtinham antes. Basta recuar 10 anos.

2. Quem trabalha nos hospitais sabe como o mesmo se está a verificar nesse sector. Ao invés da circulação de envelopes com resultados de exames médicos e de funcionários a levar e trazer papeis, hoje o médico olha para os doentes, o enfermeiro vem fazer o exame, algures no hospital a análise é feita e os resultados introduzidos na intranet. O médico apenas tem de consultar o seu monitor e os exames ali estão.Minimização de desperdício (tempo, dinheiro). Maximização de eficácia, eficiência e melhores e mais rápidos diagnósticos e tratamentos. Ganham os profissionais do sector, ganham os cidadãos, ganham os contribuintes,em suma, ganhamos todos. Estes são processos de mudança imparáveis e que apenas trazem melhor qualidade de vida, melhor qualidade dos serviços prestados e mais desenvolvimento do país.

3. Alguém me explica por que razão a imagem que temos hoje dos tribunais continua a ser a de pilhas de processos em papeis e arquivos de cinzento pardo do chão até ao tecto e no meio desse amontoado de papel vários funcionários perdidos em processos que se perdem no tempo? Talvez os senhores operadores da justiça me possam esclarecer esta minha perplexidade. Ou talvez esta seja uma questão ajustada para colocar a uma Câmara Corporativa.

Banco corrido

é o nome de um novo blog que vale a pena acompanhar. Por mim, vai já para a coluna de ligações directas.

quarta-feira, maio 07, 2008

Insustentável

1. Bob Geldof veio a Portugal a convite do BES falar de desenvolvimento sustentável. O conhecido activista disse o que não é o desenvolvimento sustentável, apontando o exemplo de Angola, país que detém níveis miseráveis em todos os indicadores de desenvolvimento, em contradição com os seus indicadores de crescimento económico e criação de riqueza. Num país com uma esperança média de vida próxima da Idade Média Europeia, é na sua capital que encontramos as residências mais luxuosas do mundo. Segundo Geldof, em Luanda existem residências de luxo e valor superiores às que se encontram num dos bairros mais caros do mundo, em matéria de valor imobiliário, Chelsea, em Londres.

2. Perante estas afirmações, o BES fez um comunicado em que se demarca da intervenção do seu convidado. Business oblige. A embaixada de Angola fez, também, um comunicado em que repudia as afirmações do activista irlandês, considerando-as "injuriosas" e contrapõe "o esforço que o Estado angolano tem vindo a fazer para melhorar as condições de vida das populações".

3. O que a representação diplomática angolana em Portugal não fez foi negar as afirmações de Geldof, sobre o "facto imobiliário" por ele referido, apresentando provas das "injúrias" que atribui ao activista.

Lemos, ouvimos e vemos

Eis um dos melhores posts dos úlimos tempos na blogosfera. E o resto é conversa para boi dormir.

terça-feira, maio 06, 2008

Finalmente percebi...

...a expressão marialva lusa: "boa como o milho". Para quem não aprecia particularmente o milho, só agora fiquei a saber que o milho produzido em Portugal é do melhor do mundo.

domingo, maio 04, 2008

Keep buzzing about your business

O marido da candidata vencedora do AUDAX, um imigrante russo professor associado da Universidade de Aveiro, "gosta muito de Portugal porque lhe faz lembrar a União Soviética dos anos sessenta". Além de estarmos na presença de um nostálgico dos tempos áureos da URSS, a comparação talvez se fique a dever à quantidade de LADAS que circulam por aí nas estradas nacionais.

Não há coincidências

Será mera coincidência o facto dos três finalistas do programa AUDAX não serem naturais de Portugal? Um nasceu em Angola, outro na África do Sul, e a terceira na Rússia.

sábado, maio 03, 2008

Ao cuidado da CPLP

1. Passados mais de trinta anos sobre a descolonização começa a ser possível fazer história sobre o colonialismo português, mas também sobre a governação dos países desde então independentes. A excelente reportagem de Anabela Saint-Maurice sobre as roças do Cacau e os contratados em São Tomé e Príncipe, que ontem o canal 2 da RTP repetiu, é disso mesmo um bom exemplo.

2. As explorações agrícolas já não existem. Casas, instalações, outros meios de produção e até um hospital e o seu equipamento, lá estão, pilhados, abandonados, entregues aos efeitos do tempo e das leis da natureza. O povo que antes ali habitava lá permanece, mas tal como as construções e equipamentos coloniais, à mercê das mesmas leis da natureza. Vive apenas do que essa natureza, as árvores e o mar, espontaneamente propicia. Um ex-contratado, ou descendente dos que foram de Angola e Cabo-Verde, dizia: "no tempo colonial havia tudo, tínhamos tudo, menos liberdade. Agora só temos liberdade, o resto falta tudo".

3. Como classificar os governantes de um país que nunca conheceu guerras, nem conflitos armados, sejam eles políticos, regionais, étnicos, ou outros; independente há 33 anos, e que, ainda assim, mantêm um país e o seu povo naquele estádio de desenvolvimento?

quinta-feira, maio 01, 2008

Tio Patinha

Vi numa barbearia do meu bairro que um dos candidatos do PPD/PSD gosta de ostentar o seu título de Prof. Doutor. Inversamente, eu tenho alguma nostalgia dos momentos em que na escola onde sou professor, quando tinha menos vinte e um anos do que tenho hoje, um aluno se virou para mim ao balcão do "come-em-pé" e me pediu: "passa-me aí os guardanapos colega".

quarta-feira, abril 30, 2008

Da série: "Já fui feliz aqui"

O paradigma geracional

- Tens um blogue? Giro! Eu não tenho, a minha mãe é que tem um blogue.

Decidam-se

Primeiro os ministros (este e os anteriores) pediram às polícias que não ficassem nas esquadras a fazer trabalho administrativo, mas andassem na rua para dissuadir o crime e garantir a segurança dos cidadãos. Agora o ministro pede aos polícias que não andem todos na rua e não deixem as esquadras com um só agente.

Segurança

O ministro disse que a polícia não pode deixar a esquadra com um só agente. Então? Talvez dois? três? Quantos seriam necessários para impedir que onze (11) indivíduos se tenham sentido suficientemente seguros para invadirem uma esquadra da polícia de segurança pública?

Insegurança

"Talvez seja necessário a polícia de segurança pública contratar os serviços de uma empresa de segurança privada para garantir a segurança das esquadras"

Mário Crespo, Jornal das Nove, SIC-N

domingo, abril 27, 2008

Lemos, ouvimos e vemos

«O Santanismo é uma espécie de Sebastianismo pós-moderno. Com a diferença de que no primeiro o "desejado" é apenas desejado por ele mesmo.»

Hidden Persuader, Bichos Carpinteiros, aqui!

[Nota: o autor do post do Bichos Carpinteiros, foi corrigido. O carácter intermitente das postagens de H.P. induziu-nos a tomar como autor o mais permanente, e veterano da política portuguesa, José Medeiros Ferreira. Pelo lapso, o meu pedido de desculpas ao H.P.]

Sondagens e estudos

Está por demonstrar que uma sondagem, e a respectiva análise e interpretação de dados, por si só, possa ser apelidada de "um estudo". Um estudo exige, além da recolha e análise de dados, muito mais. Por exemplo, questão que não é um pormenor, saber quais as relações de causalidade entre esses dados e entre eles e outros que eventualmente deveriam ser convocados para análise.

Coisas complicadas

Quando fazemos um estudo que não foi encomendado mas que antes responde aos nossos interesses científicos estamos sujeitos a interpretações, mas podemos sempre vir a terreiro e sobrepor a nossa própria interpretação dos dados. Quando se trata de um estudo que responde a uma encomenda paga por um qualquer actor social, ou pela instituição que esse actor representa, a coisa torna-se complicada. Não ficaria bem virmos a público dizer que o nosso cliente está a deturpar, no sentido que lhe convém, os dados do estudo que ele próprio encomendou e pagou. Dilemas da profissão.

sexta-feira, abril 25, 2008

Like a bird on the wire




Adam Cohen canta Leonard Cohen

terça-feira, abril 22, 2008

Angola, o Almirante e o Fax

A única coisa que espanta na história do fax de Rosa Coutinho para Agostinho Neto é a ingenuidade de António Barreto ao acreditar que um tal fax alguma vez pudesse ter existido, com aquele conteúdo. A questão racial existiu sempre em Angola, mas nunca poderia ter sido assim colocada num fax dirigido ao então presidente do MPLA. Basta ter um mínimo conhecimento da realidade angolana da época. Em primeiro lugar, não era a ala no poder do MPLA quem colocava a questão racial. Em segundo lugar, a relação de Rosa Coutinho com Agostinho Neto não era tratada por fax mas presencialmente.

Mouros somos todos

Concordo inteiramente com este post. O epíteto é da família daquele outro: mouros. Quem sou eu para negar o monopólio dessa condição a 'Sul' (conceito vago que consistirá numa espécie de mapa cor-de-rosa entre Torres Novas e a Cidade do Cabo)?

segunda-feira, abril 21, 2008

Escrevam isto

O próximo líder do partido citrino é... Santana Lopes. Sim, de novo.

Coerência discursiva

Nem na justificação da "saída" LFM consegue manter num dia o que disse no dia anterior. No dia da demissão dizia ter o partido todo a apoia-lo e "apenas meia dúzia" de militantes contra ele. No dia seguinte dizia que todos os dias tinha "toda a gente contra ele".

Déjà vu

Foi a sensação do país com a subida ao poder laranja de LFM. Ora, o discurso justificativo da actual conjuntura citrina, de "facadas nas costas", é um plágio do recém-nascido no berço a levar chapada dos irmãos. Déjà vu...

Luís Filipe

Creio que há um problema onomástico qualquer com este nome. Já tinha alertado para isso aqui.

sexta-feira, abril 18, 2008

Oportuno

foi António Costa. Aproveitou a apresentação do futuro alargamento da estação Oriente, para recordar a necessidade de reconversão da linha oriente-santa-apolónia, dando outro uso à estação de santa apolónia. Isto permitiria requalificar toda aquela zona da cidade, ligando-a à zona histórica, potencializando, desse modo, a sua revitalização. Boa tacada!

Berlusconi

já esteve mais longe de regressar ao poder. Também em Portugal.

quarta-feira, abril 16, 2008

De regresso das obras


Este periódico está de volta, embora sem periodicidade.

Prognóstico reservado

Há duas ou três semanas no programa A Regra do Jogo, José Miguel Júdice e António Barreto profetizaram, como quem diz algo de banal, o fim do PSD. Na altura pareceu-me excessivo. Hoje já não me parece. Creio que se não está morto, está em coma com prognóstico reservado. O problema, porém, é que o que pode estar em vias de extinção é o PSD que historicamente se conhece. Em Itália, Berlusconi acaba de voltar ao poder com uma vitória esmagadora. Há sinais preocupantes para as democracias e, infelizmente, o triste espectáculo do PSD é apenas um deles.

Mercado

No último Expresso da Meia Noite (SIC-N), Francisco Louçã opôs-se ao uso da expressão mercado de trabalho "porque o trabalho não é algo que se produz e consome". Louçã é que é economista, mas eu aprendi que o mercado é o lugar onde se compra e vende e não o lugar onde se produz e consome.

sábado, março 01, 2008