sexta-feira, maio 25, 2007

A cidade inexistente

Sei que ninguém vai ligar a isto, mas ainda assim quero deixar aqui a notícia, aos que ainda não perceberam, que a cidade de Lisboa à qual agora concorrem vários candidatos, já não existe. A cidade de que aqueles candidatos falam é uma mera divisão administrativa, aliás, ela própria, mais que caduca. É dessa pequena instância administrativa que se fala quando se fala de uma "cidade" que não tarda a ter pouco mais do que quatrocentos mil habitantes. Uma cidade hoje não é apenas os seus habitantes, mas também todos os que nela trabalham, estudam, consomem, desenvolvem actividades de lazer, de turismo, etc. Uma área central de uma cidade, hoje é cada vez menos uma zona de habitação, em exclusivo, e cada vez mais uma zona com um conjunto múltiplo de funções, das quais as actividades produtivas, de serviços diversos, constituem a grande fatia. Uma cidade, como a cidade de Lisboa, hoje não se limita aos actuais limites administrativos mas estende-se a todas as aglomerações, contíguas ou não, com as quais detém interacções funcionais, através de vários eixos de comunicação e circulação de pessoas, mercadorias, produtos, informação. Claro que isto exigiria uma profunda reformulação nas instituições, no aparelho legal e no modelo da sua governação. Quanto mais não fosse porque, com este modelo, quem escrutina, em eleições, o governo da cidade é apenas uma parcela minoritária daqueles que efectivamente a utilizam e dela usufruem diariamente. Mas isso agora não interessa nada, pois não?

1 comentário:

helena disse...

Pois é, Walter.
Quem é que se interessa?
Aliás, quem é que se interessa seja pelo que fôr?

Já reparaste como as pessoas se acomodam àquela vidinha em que cada um só quer um carrito, tardes passadas a olhar estupidamente as montras do Centro Comercial, um filme de vez em quando. e logo se fecham no cubículo, igual a tantos outros...
Um abraço
Helena