terça-feira, maio 20, 2008

O mercado da solidariedade

Os contornos aqui mencionados são muito simples de enunciar. São os contornos do mercado da solidariedade. Os exemplos práticos são inúmeros. Desde o approach de marketeer de uma assistente social aos familiares de um idoso num hospital, até à demarcação territorial de paróquia, efectuada pelo respectivo pároco, dentro da qual, segundo o próprio, se estaria em território prioritário de intervenção da "sua" IPSS. Afinal estamos a falar de economia social. É social, é certo, mas não deixa de ser a economia! [sem ofensa]

quinta-feira, maio 15, 2008

Crise petrolífera

Já aqui disse e repito. Acho essa coisa de ir para o local de trabalho de bicicleta uma grande javardice dos tempos anteriores à sociedade pós-industrial.

Como eu compreendo o PM...

Há tempos o PM disse que tinha deixado de fumar e em alternativa fazia jogging como um atleta. É saudável e dá boa imagem. Hoje em dia fumar é politicamente incorrecto. Regozijava-se, também, com a lei anti-tabágica que colocou em vigor no dia 1 de Janeiro do corrente ano. Ano novo vida nova.

Agora, Sócrates foi apanhado com a boca na botija (leia-se, no cigarro). Como eu compreendo o PM. Por três ordens de razão:

Primeiro, porque deixar de fumar não é fácil, mesmo para um PM.

Segundo, porque, para um fumador, passar oito horas fechado num avião sem poder fumar é uma tortura. Que o digam os pobres mortais que não têm estatuto de PM.

Terceiro, porque a lei não é para todos. Não faltava mais nada ser-se PM e ter de cumprir a lei como um qualquer cidadão.

Adenda: Eu, por experiência própria, no lugar do PM, não prometia deixar de fumar. Nunca se sabe quando há uma recaída e, neste caso, as recaídas podem ter equivalente funcional.

terça-feira, maio 13, 2008

A propósito das comemorações do Maio (1917 e 68)

"Agora, que João Paulo II unilateralmente aboliu o Inferno, o diabo já não mete medo a ninguém. E os artistas malditos também não."

Fim de época

Os efeitos positivos e não esperados da acção, logo, efeitos não perversos, no que toca aos episódios mais recentes do universo da bola, prenunciam a morte há muito anunciada de uma época. O moribundo está próximo do último estrebuchar.

quinta-feira, maio 08, 2008

Observação participante no trânsito de Lisboa

Carros a circular com três ou quatro cotovelos de fora.

- 99,9% são do sexo masculino.
- 89,9% são jovens.
- 79,9% são da classe média-baixa.

Conclusão: carros com cotovelos de fora denunciam um acesso recente ao maravilhoso mundo do "também eu quero contribuir para o aquecimento global".

Ao cuidado dos senhores operadores da justiça

1. Quem trabalha no ensino superior e na investigação há mais de 10 anos, sabe como as Tecnologias de Informação e Comunicação, mudaram radicalmente os modos de trabalhar, criando eficácia, eficiência e uma produtividade sem paralelo com as que se obtinham antes. Basta recuar 10 anos.

2. Quem trabalha nos hospitais sabe como o mesmo se está a verificar nesse sector. Ao invés da circulação de envelopes com resultados de exames médicos e de funcionários a levar e trazer papeis, hoje o médico olha para os doentes, o enfermeiro vem fazer o exame, algures no hospital a análise é feita e os resultados introduzidos na intranet. O médico apenas tem de consultar o seu monitor e os exames ali estão.Minimização de desperdício (tempo, dinheiro). Maximização de eficácia, eficiência e melhores e mais rápidos diagnósticos e tratamentos. Ganham os profissionais do sector, ganham os cidadãos, ganham os contribuintes,em suma, ganhamos todos. Estes são processos de mudança imparáveis e que apenas trazem melhor qualidade de vida, melhor qualidade dos serviços prestados e mais desenvolvimento do país.

3. Alguém me explica por que razão a imagem que temos hoje dos tribunais continua a ser a de pilhas de processos em papeis e arquivos de cinzento pardo do chão até ao tecto e no meio desse amontoado de papel vários funcionários perdidos em processos que se perdem no tempo? Talvez os senhores operadores da justiça me possam esclarecer esta minha perplexidade. Ou talvez esta seja uma questão ajustada para colocar a uma Câmara Corporativa.

Banco corrido

é o nome de um novo blog que vale a pena acompanhar. Por mim, vai já para a coluna de ligações directas.

quarta-feira, maio 07, 2008

Insustentável

1. Bob Geldof veio a Portugal a convite do BES falar de desenvolvimento sustentável. O conhecido activista disse o que não é o desenvolvimento sustentável, apontando o exemplo de Angola, país que detém níveis miseráveis em todos os indicadores de desenvolvimento, em contradição com os seus indicadores de crescimento económico e criação de riqueza. Num país com uma esperança média de vida próxima da Idade Média Europeia, é na sua capital que encontramos as residências mais luxuosas do mundo. Segundo Geldof, em Luanda existem residências de luxo e valor superiores às que se encontram num dos bairros mais caros do mundo, em matéria de valor imobiliário, Chelsea, em Londres.

2. Perante estas afirmações, o BES fez um comunicado em que se demarca da intervenção do seu convidado. Business oblige. A embaixada de Angola fez, também, um comunicado em que repudia as afirmações do activista irlandês, considerando-as "injuriosas" e contrapõe "o esforço que o Estado angolano tem vindo a fazer para melhorar as condições de vida das populações".

3. O que a representação diplomática angolana em Portugal não fez foi negar as afirmações de Geldof, sobre o "facto imobiliário" por ele referido, apresentando provas das "injúrias" que atribui ao activista.

Lemos, ouvimos e vemos

Eis um dos melhores posts dos úlimos tempos na blogosfera. E o resto é conversa para boi dormir.

terça-feira, maio 06, 2008

Finalmente percebi...

...a expressão marialva lusa: "boa como o milho". Para quem não aprecia particularmente o milho, só agora fiquei a saber que o milho produzido em Portugal é do melhor do mundo.

domingo, maio 04, 2008

Keep buzzing about your business

O marido da candidata vencedora do AUDAX, um imigrante russo professor associado da Universidade de Aveiro, "gosta muito de Portugal porque lhe faz lembrar a União Soviética dos anos sessenta". Além de estarmos na presença de um nostálgico dos tempos áureos da URSS, a comparação talvez se fique a dever à quantidade de LADAS que circulam por aí nas estradas nacionais.

Não há coincidências

Será mera coincidência o facto dos três finalistas do programa AUDAX não serem naturais de Portugal? Um nasceu em Angola, outro na África do Sul, e a terceira na Rússia.

sábado, maio 03, 2008

Ao cuidado da CPLP

1. Passados mais de trinta anos sobre a descolonização começa a ser possível fazer história sobre o colonialismo português, mas também sobre a governação dos países desde então independentes. A excelente reportagem de Anabela Saint-Maurice sobre as roças do Cacau e os contratados em São Tomé e Príncipe, que ontem o canal 2 da RTP repetiu, é disso mesmo um bom exemplo.

2. As explorações agrícolas já não existem. Casas, instalações, outros meios de produção e até um hospital e o seu equipamento, lá estão, pilhados, abandonados, entregues aos efeitos do tempo e das leis da natureza. O povo que antes ali habitava lá permanece, mas tal como as construções e equipamentos coloniais, à mercê das mesmas leis da natureza. Vive apenas do que essa natureza, as árvores e o mar, espontaneamente propicia. Um ex-contratado, ou descendente dos que foram de Angola e Cabo-Verde, dizia: "no tempo colonial havia tudo, tínhamos tudo, menos liberdade. Agora só temos liberdade, o resto falta tudo".

3. Como classificar os governantes de um país que nunca conheceu guerras, nem conflitos armados, sejam eles políticos, regionais, étnicos, ou outros; independente há 33 anos, e que, ainda assim, mantêm um país e o seu povo naquele estádio de desenvolvimento?

quinta-feira, maio 01, 2008

Tio Patinha

Vi numa barbearia do meu bairro que um dos candidatos do PPD/PSD gosta de ostentar o seu título de Prof. Doutor. Inversamente, eu tenho alguma nostalgia dos momentos em que na escola onde sou professor, quando tinha menos vinte e um anos do que tenho hoje, um aluno se virou para mim ao balcão do "come-em-pé" e me pediu: "passa-me aí os guardanapos colega".

quarta-feira, abril 30, 2008

Da série: "Já fui feliz aqui"

O paradigma geracional

- Tens um blogue? Giro! Eu não tenho, a minha mãe é que tem um blogue.

Decidam-se

Primeiro os ministros (este e os anteriores) pediram às polícias que não ficassem nas esquadras a fazer trabalho administrativo, mas andassem na rua para dissuadir o crime e garantir a segurança dos cidadãos. Agora o ministro pede aos polícias que não andem todos na rua e não deixem as esquadras com um só agente.

Segurança

O ministro disse que a polícia não pode deixar a esquadra com um só agente. Então? Talvez dois? três? Quantos seriam necessários para impedir que onze (11) indivíduos se tenham sentido suficientemente seguros para invadirem uma esquadra da polícia de segurança pública?

Insegurança

"Talvez seja necessário a polícia de segurança pública contratar os serviços de uma empresa de segurança privada para garantir a segurança das esquadras"

Mário Crespo, Jornal das Nove, SIC-N